sábado, 1 de dezembro de 2012

Sabedoria de Chesterton


“Esse é o fato supremo e mais aterrador envolvendo a fé: que seus inimigos usarão qualquer arma contra ela, as espadas que cortam os próprios dedos e as achas que queimam as  próprias casas. Homens que começam a combater a Igreja em benefício da liberdade e da humanidade terminam jogando fora a liberdade e a humanidade só para poderem com isso combater a Igreja.
(...)
E, no entanto, a coisa pende dos céus, incólume. Seus opositores só conseguem destruir tudo aquilo a que eles mesmos com justiça dão valor. Não destroem a ortodoxia; destroem apenas o sentido comum e político de coragem. Não provam que Adão não foi responsável perante Deus; como poderiam fazê-lo? Provam apenas (a partir de suas premissas) que o czar não é responsável perante a Rússia. Não provam que Adão não deveria ter sido punido por Deus; provam apenas que o patrão explorador mais próximo não deveria ser punido pelos homens.”

Retirado de Ortodoxia, Chesterton.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

O paradoxo da moda do bom mocismo


Há um atual clamor popular que supostamente visa conter abusos e distribuir tolerância de todos para todos. O curioso é que uma das maiores acusadas de opressão é justamente a instituição que mais prezou pelo ser humano e a ele se doou: a Igreja Católica. Todos esses valores e essas idéias que estão sendo utilizadas para fins subversivos não existiriam da maneira que existem hoje se não fosse a Igreja Católica Apostólica Romana. Quem compilou as obras do mundo antigo, quem absorveu a lógica e a pragmática romana, quem inventou as universidades, quem instituiu as primeiras idéias de igualdade, quem primeiro se doou maciçamente ao trabalho filantrópico? A Igreja. Não obstante está sendo ela acusada de não fazer coisas que ela faz por seres que reivindicam  ações que nem eles mesmo praticam – ou alguém já viu um grande líder da esquerda envolvido em projetos de caridade? A coisa é cínica e fede. Aos hipócritas, eles mesmos e sua laia. Ao cinismo, a espada. Não há como dialogar com a mediocridade e a ignorância dessas massas pérfidas. 

Em uma realidade não tão distante...

Um primoroso diálogo fictício, mas que entoa posições e contra-posições bastante reais. Ei-lo:

''Adalberto Guarani-Kaiowá:

Tenho que discordar com as ideias, apesar de conter um primoroso estilo. Essa crença ilusória numa verdade una, inalienável e na condução de um progresso já é algo experimentado pela historiografia e visto como falho: existem várias culturas, vários povos, porque só a sua posição seria a certa? (aqui a velha insegurança pessoal)
A verdade, se é que existe mesmo algo assim, é plural, é de todos, é minha, sua e do homem da padaria, não una. Nossa historiografia já provou isso. (sodomia intelectual gostosa, porém equivocada)


Ser Pensante:
Adalberto,

Com todas as limitações que a honestidade intelectual me impõe, guardo algum respeito por teu posicionamento. Não me tomes por concordante com essa verdade de borracha que inexiste em si mesma, mas que apenas se faz pseudópode de toda a vulgaridade estandardizada que você aprendeu na Universidade. Não, se cá conservo algum respeito por esse posicionamento é porque só o posso tomar ANTES como uma doença de teu próprio espírito, que não destrói valores por perversidade, mas se põe como instrumento da destruição por mera carência pessoal prostitutiva. Tua verdade multipolar psicopática só deixa um caminho de ação para ti, caso vá segui-la com coerência: a omissão. Se nada há de verdadeiro, de solidamente correto nesse mundo onírico que viveis a estudar na cátedra, por nada vale a pena lutar, por nada vale a pena mover uma palha. Se todo mundo é especial, então ninguém o é. Guarda-te, portanto, em casa, esquece o ativismo indígena que te mutila a coerência contigo mesmo e te junta à nobre massa dos que não agem na vida por terem sido vítimas da ignorância. Em teu caso, no entanto – onde a ignorância é voluntária – dou mais um conselho: CALA A BOCA, BURRO! Napoleão há muito descobriu o perigo que ignorantes com iniciativa representam para uma comunidade. Ignorantes voluntários com iniciativa vaidosa e orgulho presunçoso desse quadro, apenas servem para serem esmagados como baratas, antes que contaminem tudo o mais. Se acreditas mesmo na construção de um mundo melhor (o que é um estouro de incoerência), poupa esse mundo de tua ação, ou então lapida-te a ti mesmo. Passa bem!''

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Recuperemos!

A sociedade moderna está desnorteada. Falta pulso, falta impulso. Falta coragem para enxergar, falta honestidade e humildade para reconhecer. Falta fibra para agüentar, falta força para vencer. Falta o homem de antes, que mesmo em meio a certa ignorância possuía um saber muito maior de todos os que hoje circundam no mundo: o saber de si, a ciência do que querer e o desejo do por que lutar.
"Batalha de Poitiers"

O ateu


O ateísmo é uma doença da alma. O enfermo não percebe nada além de si mesmo. É um megalômano, egocêntrico. O termo de ateu leva consigo, inerentemente, a prodigalidade. O ateu é um esnobe: ele crê em si somente e em nada mais. A ascensão dessa doença se deve a uma profunda crise de ordem moral e de julgamento. O ateu redimensiona o homem como algo cujo fim está em si mesmo. Flerta com um niilismo suicida e abre mão de responsabilidades. Não raramente percebo num ateu um excessivo descompromisso – é a tal da covardia que citei em postagens anteriores. O ateu clama a razão todo o tempo, mas só até determinado ponto, pois ela o faria duvidar até de sua própria crença. O ateu é um omisso, um vaidoso e um perdido. Não só não crê em Deus ou em algo além, mas crê vivamente na crença de que não há algo além. É um dos efeitos colaterais da modernidade, uma conseqüência inevitável e fatídica. Atrás de todo um arcabouço de descrenças ateias jaz a hombridade, a humildade, a coragem e o compromisso para com o que te faz elevar-se, ir adiante e aperfeiçoar-se. Que sentido tem a vida de alguém que acredita que si mesmo fora um acaso? O sentido que ele desejar. Nenhum homem pode viver sem uma crença. No caso do ateu, é só uma crença diferente: ele crê em si, em toda a sua potencialidade e sagacidade, negligenciando a sua própria natureza em favor de seus próprios vícios. O ateu é o seu Deus; o ateu é um doente. 

terça-feira, 27 de novembro de 2012

A guerra de informação

"Os grupos se reúnem, constroem um site, todos escrevem seus valores, aplicando-os em comentários aos acontecimentos atuais e atacando os grupos antagônicos apenas por ali. Em meio a isso cada um deles carrega um estandarte que bem representa o seu conjunto de ideias e que faz com que o homem moderno, ratinho de escritório, fique com um pé atrás diante de tudo o que aquilo informa, afinal ninguém mais quer comprometer-se - a fundo - com valor algum. E aí estão todos esses grupos deixando sua marca no mundo apenas em textos publicados, comentários sobre a situação atual e pequenos longos debates virtuais, mas sem levar ninguém ao vigor de uma ação eternizante. Seu poder de influência jaz na mentalidade lúgubre do homem moderno, que foi adestrado para não dar lá tanto valor a valores. E assim, toda a verborréia tem um alcance deveras limitado no mundo prático. Toda essa informação, todo esse resgate cultural já não conquista corações e mentes, porque a maioria dos corações já estão preocupados demais com a hipertensão para se envolverem, e a maioria das mentes... a maioria das mentes apenas foge das verdades eternas, já que a Ação dessas verdades precisaria se apoiar em corações melhores. E isso tudo acaba por me lembrar de quando o Huxley diz que "três quartos do tempo não estamos em contato com as coisas, mas apenas com as palavras que as representam. E muitas vezes nem mesmo com elas, e sim com essa infernal algaravia metafórica dos poetas"."


De mais um dos colaboradores. 
Que fique a reflexão.

''Onisciência''


O homem de hoje perdeu a humildade. Duvida de tudo, exceto de si e da sua dúvida. Está louco e incontrolável. Também está sendo incitado e incita a isso. É devido a esse orgulho miserável e a essa convicção cega só em si mesmo que tantas idéias e fenômenos decadentes estão vindo à tona. A humildade descartada não o permite se submeter a verdade alguma. Tudo é certo – desde que se deseje. Aonde isso nos leva? A completa insanidade! Como bem disse Chesterton, “O louco não é um homem que perdeu a razão. Mas sim um homem que perdeu tudo, exceto a razão”.