Ser criado num lar católico, cristão, e depois se deparar
com a triste realidade do mundo não é fácil. Penso que a maioria dos incrédulos
de hoje o são por se sentirem injustiçados, enganados. Não só o mundo vem à tona
como um lugar mesquinho: os seus entes, que tanto antes admiravam, têm suas
falhas e vícios mais visíveis a nós quando chegamos a certa idade. Não é a
descrença súbita, proveniente do nada, que emerge, mas sim a sensação de ter
sido traído por tudo aquilo que era para si mais caro e imaculado no mundo. E
assim muitos ficam: secos, quietos, carrancudos e até mesmo revoltados. Não
raro percebo ira em manifestações de supostos céticos e/ou ateus. Na realidade, não era a religião que eles queriam culpar, mas sim o mundo, os homens. No
entanto, a “religião” se deixa ser culpada. Por quê? Porque ela é bela e além.
Porque ela tem em si um dos mais belos e necessários dons para o
desenvolvimento do homem como ser: o perdão, e só através dela se pode perdoar. Entretanto,
eis que cá estamos: um mundo cruel que se torna cada vez mais cruel com os
homens distante de Deus: incrédulos, vaidosos, materialistas até os ossos... Não
perdoam a traição da mais terna idade; não perdoam os seus, não perdoam a si e ficam
presos numa gosma que gruda, estanca e os adoece. Os seres de hoje não perdoam
aquilo que hoje lhes perdoa e não percebem o que lhes está na face; não crêem mais no pecado e no erro, só em seus desejos e vícios. Se não há pecado, então, não pode haver perdão... Os homens suicidam o seu espírito hoje em dia.
terça-feira, 25 de dezembro de 2012
sábado, 22 de dezembro de 2012
Sobre o tema “propriedade privada”...
(uma análise bem fria e objetiva)
A propriedade privada é legítima por natureza. Muito me espanta que
céticos, ateus e comunistas tanto mal falem sobre ela, porque suas críticas não
têm base senão em princípios "religiosos", ou criações de um “eu” atordoado e
doente.
Rousseau errou. Tanto errou que perdeu o concurso em que tentou emplacar
o famoso discurso sobre a origem da desigualdade entre os homens. Esse discurso
é bastante interessante – ao menos para mim. Vejo muita coerência em inúmeras
análises, mas um grande erro na conclusão sobre essas análises.
Rousseau diz que a origem da desigualdade
entre os homens reside na criação da propriedade privada. De certo modo, está
correto pensar assim. Entretanto, ele tenta explicar que essa desigualdade, que
a existência da propriedade privada, está assentada em algum fator social, em
algo que se corrompe; que todos os homens nasceram iguais e, pela própria e
única ação do homem, ou de um homem, tornaram-se diferentes. Contudo é errado
pensar assim. O homem mais forte e “malicioso” que subjugou o mais fraco e
decretou ser dono de algo, era mais forte e “malicioso” porque a natureza assim
o concebeu. O “usurpador” foi concebido pela natureza com essas aptidões que o
permitiu “usurpar”. Não estou tentando consagrar isso, estou simplesmente
constatando algo que passa, quase que sempre, despercebido.
Querem mais legalidade do que a própria mãe natureza? Existiu o homem;
depois um homem forte; depois um homem suficientemente forte e malicioso que se
apropriou de algo, tal como um cão que mata o outro por ele ter tentado se
apropriar de um alimento e intimida os demais.
O que quero dizer é que é da natureza humana, ou melhor, que é da
natureza, que é natural, haver “desigualdade” e, por conseguinte, propriedade.
quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
Sobre o Natal
"Toda cerimônia depende de um símbolo; e todos os símbolos
têm sido vulgarizados e apodrecidos pelas condições comerciais de nosso tempo.
Isso é especialmente verdade desde que sentimos a infecção comercial americana,
e o progresso tornou Londres uma cidade não superior a si mesma, mas inferior a
Nova York. De todos os símbolos falsificados e esmaecidos, o mais melancólico
exemplo é o antigo símbolo da chama. Em todas as épocas e países civilizados,
foi sempre natural falar de um grande festival em que “a cidade era iluminada.”
Não há sentido atualmente em se falar que a cidade foi iluminada. Não há
propósito em iluminá-la por qualquer entusiasmo normal ou nobre, tal como o
sair-se vencedor numa batalha. Toda a cidade está já iluminada, mas não por
coisas nobres. Está iluminada somente com o propósito de se insistir na imensa
importância de coisas triviais e materiais, adornadas por motivos inteiramente
mercenários. O significado de tais cores e tais luzes foi, portanto,
inteiramente aniquilado. Não adianta lançar um foguete dourado ou púrpuro para
a glória do Rei ou do País, ou acender uma imensa fogueira vermelha no dia de
São George, quando todos estão acostumados a ver o mesmo alfabeto ardente
proclamando uma pasta de dentes ou uma goma de mascar. A nova iluminação não
fez a pasta de dentes ou a goma de mascar tão importantes quanto São George ou
o Rei George; porque nada poderia. Mas ela fez as pessoas se cansarem do modo
de proclamar grandes coisas, por seu eterno uso para proclamar pequenas coisas.
A nova iluminação não destruiu a diferença entre a luz e a escuridão, mas
permitiu a luz menor ofuscar a maior"
G. K. Chesterton
G. K. Chesterton
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
Padrões
Para se aprender a fazer um bom texto, uma boa ação, um bom
poema, uma boa obra (construir algo), deve-se, antes tudo, ser um bom crítico.
Assim, antes te pores a fazer qualquer algo, tens de ter lido bons textos,
visto boas ações, apreciado boas obras e assim em diante. Ou seja, tens de
seguir um padrão se quiseres fazer qualquer coisa de bom nesse mundo. Que há
hoje em dia? Uma morte dos padrões, uma morte da certeza e um joguete tolo onde
o certo é errado e o errado é certo. Diante disso, seguindo as tendências
atuais, não podes ter um exemplo de nada, porque nada é bom, ao mesmo tempo em
que tudo pode vir a ser é bom – assim nada é ruim também, ao mesmo tempo em que
tudo pode vir a ser ruim pela mesma “lógica”. Que benesses nos trazem esses
iluminados que negam o transcendente? Que de construtivo nos deixam? Nada. Só
livros infindos cujas conclusões são as ausências de conclusões. Pões fins aos
padrões e nada de correto sairá adiante. Tê-se preso ao relativismo, que nada
podes construir. Assim é a hora de negar tudo o que pretende negar-nos: negar
nossas certezas, nossos padrões, nossas convicções, nossas idéias, nosso bom
senso, nossa índole, nosso caráter e nossa ética. Devemos defender os padrões,
a nossa tradição, e o que os homens de outrora nos legaram, pois sem isso nada
somos e nada poderemos ser além de vítimas do agora e dessa opinião alheia destrutiva,
completamente alienante e que só atende aos vícios da modernidade.
sábado, 15 de dezembro de 2012
Espírito burguês
"Combate o burguês que está dentro de ti. A burguesia não é uma classe, é um estado de espírito. É o conformismo, o comodismo, o interesse vulgar, o prazer mesquinho, a incapacidade de ideal, a demissão dos deveres, a submissão ao cotidiano, o fatalismo inerme, a indiferença criminosa, o abandono a rotina, o egoísmo cego a ostentação ridícula, a descrença e a incapacidade de ação. Liberta-te desse mal do século; será o primeiro passo para a libertação de tua Pátria e da própria Humanidade, hoje oprimida pelos seus próprios vícios".
Plínio Salgado
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
Ciências Humanas
O estudo das Ciências Humanas hoje, numa academia, é inútil.
A última coisa que ele tenta ser, na realidade, é ser útil. Não é à toa que na
maioria esmagadora das vezes só lemos trechos de obras da gente de outrora,
pois só os trechos são adaptáveis ao relativismo moderno – as obras não.
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