segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Até Sauron apoiava o desarmamento


“- Os termos são estes - disse o Mensageiro, sorrindo e encarando-os um a um-: a gentalha de Gondor e seus iludidos aliados devem retirar-se imediatamente para além do Anduin, não sem primeiro prestarem juramento de nunca mais atacar Sauron, o Grande, aberta ou secretamente. Todas as terras a leste do Anduin deverão pertencer a Sauron para sempre, e unicamente a ele. A região a oeste do Anduin, até as Montanhas Sombrias e o Desfiladeiro de Rohan, deverá pagar tributo a Mordor, e os homens de lá não poderão portar armas(...)”

( O Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei;  Cap.: O Portão Negro se abre)

Assim falou o mensageiro de Mordor, A Boca de Sauron, para o exército dos homens livres que estava diante do portão da Terra Negra.

Percebe-se que o desarmamento é uma tática antiga e popular.


quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

A culpa


A culpa é o nosso inferno. É o termômetro que mede nossas ações ou inações. Ela não cessa com o perdão do outro; ela não cessa. Ela no máximo se abrande e coexistimos com ela.  Ela é a nossa vergonha eterna, pois um copo em pedaços não se desquebra e as lágrimas derramadas de um outro não tornam aos olhos. 

sábado, 29 de dezembro de 2012

Julga e age


Se não crês verdadeiramente numa verdade, num determinado caminho a se trilhar; se não crês num certo e errado, não podes a nada julgar. E não julgas porque não tens parâmetros. Se não julgamos, como iremos agir, como mudaremos o que há de errado? Não adianta virem dizer-me que o mundo não carece de julgamentos. É só olhar ao lado que te pões de sobressalto. O fim da convicção é o nascimento da inércia cômoda e covarde que nos enche o mundo atualmente e que nada contribui para melhorá-lo. 

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Vá!


Reclamam de minha ira?! Que reclamem! Pois reclamam somente aqueles que a provocam. E os que a provocam não merecem nada, nem mesmo o amanhã! Mas ai de mim! Não bato um martelo para todo um coletivo! Minhas ações e reações são mais vis-à-vis e individuais. No entanto, de uma coisa estou certo: a coisa mais nobre que a maioria desses infames de hoje poderiam fazer para si e para o mundo seria findar-se. O amanhã só revelaria mais uma descida nesse buraco sem fim de vergonha, falta de caráter e honra. 

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Sobre os incrédulos e revoltados


Ser criado num lar católico, cristão, e depois se deparar com a triste realidade do mundo não é fácil. Penso que a maioria dos incrédulos de hoje o são por se sentirem injustiçados, enganados. Não só o mundo vem à tona como um lugar mesquinho: os seus entes, que tanto antes admiravam, têm suas falhas e vícios mais visíveis a nós quando chegamos a certa idade. Não é a descrença súbita, proveniente do nada, que emerge, mas sim a sensação de ter sido traído por tudo aquilo que era para si mais caro e imaculado no mundo. E assim muitos ficam: secos, quietos, carrancudos e até mesmo revoltados. Não raro percebo ira em manifestações de supostos céticos e/ou ateus. Na realidade, não era a religião que eles queriam culpar, mas sim o mundo, os homens. No entanto, a “religião” se deixa ser culpada. Por quê? Porque ela é bela e além. Porque ela tem em si um dos mais belos e necessários dons para o desenvolvimento do homem como ser: o perdão, e só através dela se pode perdoar. Entretanto, eis que cá estamos: um mundo cruel que se torna cada vez mais cruel com os homens distante de Deus: incrédulos, vaidosos, materialistas até os ossos... Não perdoam a traição da mais terna idade; não perdoam os seus, não perdoam a si e ficam presos numa gosma que gruda, estanca e os adoece. Os seres de hoje não perdoam aquilo que hoje lhes perdoa e não percebem o que lhes está na face; não crêem mais no pecado e no erro, só em seus desejos e vícios. Se não há pecado, então, não pode haver perdão... Os homens suicidam o seu espírito hoje em dia. 

sábado, 22 de dezembro de 2012

Sobre o tema “propriedade privada”...


(uma análise bem fria e objetiva) 

   A propriedade privada é legítima por natureza. Muito me espanta que céticos, ateus e comunistas tanto mal falem sobre ela, porque suas críticas não têm base senão em princípios "religiosos", ou criações de um “eu” atordoado e doente.
   Rousseau errou. Tanto errou que perdeu o concurso em que tentou emplacar o famoso discurso sobre a origem da desigualdade entre os homens. Esse discurso é bastante interessante – ao menos para mim. Vejo muita coerência em inúmeras análises, mas um grande erro na conclusão sobre essas análises.
    Rousseau diz que a origem da desigualdade entre os homens reside na criação da propriedade privada. De certo modo, está correto pensar assim. Entretanto, ele tenta explicar que essa desigualdade, que a existência da propriedade privada, está assentada em algum fator social, em algo que se corrompe; que todos os homens nasceram iguais e, pela própria e única ação do homem, ou de um homem, tornaram-se diferentes. Contudo é errado pensar assim. O homem mais forte e “malicioso” que subjugou o mais fraco e decretou ser dono de algo, era mais forte e “malicioso” porque a natureza assim o concebeu. O “usurpador” foi concebido pela natureza com essas aptidões que o permitiu “usurpar”. Não estou tentando consagrar isso, estou simplesmente constatando algo que passa, quase que sempre, despercebido.
   Querem mais legalidade do que a própria mãe natureza? Existiu o homem; depois um homem forte; depois um homem suficientemente forte e malicioso que se apropriou de algo, tal como um cão que mata o outro por ele ter tentado se apropriar de um alimento e intimida os demais.
   O que quero dizer é que é da natureza humana, ou melhor, que é da natureza, que é natural, haver “desigualdade” e, por conseguinte, propriedade. 

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Sobre o Natal

"Toda cerimônia depende de um símbolo; e todos os símbolos têm sido vulgarizados e apodrecidos pelas condições comerciais de nosso tempo. Isso é especialmente verdade desde que sentimos a infecção comercial americana, e o progresso tornou Londres uma cidade não superior a si mesma, mas inferior a Nova York. De todos os símbolos falsificados e esmaecidos, o mais melancólico exemplo é o antigo símbolo da chama. Em todas as épocas e países civilizados, foi sempre natural falar de um grande festival em que “a cidade era iluminada.” Não há sentido atualmente em se falar que a cidade foi iluminada. Não há propósito em iluminá-la por qualquer entusiasmo normal ou nobre, tal como o sair-se vencedor numa batalha. Toda a cidade está já iluminada, mas não por coisas nobres. Está iluminada somente com o propósito de se insistir na imensa importância de coisas triviais e materiais, adornadas por motivos inteiramente mercenários. O significado de tais cores e tais luzes foi, portanto, inteiramente aniquilado. Não adianta lançar um foguete dourado ou púrpuro para a glória do Rei ou do País, ou acender uma imensa fogueira vermelha no dia de São George, quando todos estão acostumados a ver o mesmo alfabeto ardente proclamando uma pasta de dentes ou uma goma de mascar. A nova iluminação não fez a pasta de dentes ou a goma de mascar tão importantes quanto São George ou o Rei George; porque nada poderia. Mas ela fez as pessoas se cansarem do modo de proclamar grandes coisas, por seu eterno uso para proclamar pequenas coisas. A nova iluminação não destruiu a diferença entre a luz e a escuridão, mas permitiu a luz menor ofuscar a maior"

G. K. Chesterton