Ortega y Gasset
segunda-feira, 13 de maio de 2013
Homens de mente lúcida / El hombre de cabeza clara
"Homem de mente lúcida é aquele que se liberta dessas “idéias” fantasmagóricas e olha de frente a vida, e se convence de que tudo nela é problemático, e se sente perdido. Como isso é a pura verdade – a saber, que viver é sentir-se perdido –, quem o aceita já começou a encontrar-se, já começou a descobrir sua autêntica realidade, já está no firme. Instintivamente, como o náufrago, buscará algo para se agarrar, e esse olhar trágico, peremptório, absolutamente veraz porque se trata de salvar-se, lhe facultará pôr ordem no caos de sua vida. Estas são as únicas idéias verdadeiras; as idéias dos náufragos. O resto é retórica, postura, íntima farsa. Quem não se sente de verdade perdido perde-se inexoravelmente; é dizer, não se encontra jamais, não topa nunca com a própria realidade."
sexta-feira, 26 de abril de 2013
Liberalismo/libertarianismo: a nova boiolagem
Hoje em dia está na moda lançar a
idéia de que “se não há argumento, parte-se para a violência”, com uma única
exclusividade, a de “enfeiar” o adversário. Essa prática não é somente ridícula
como é também um atestado de total ignorância, funcionando, quando com muito
otimismo, como uma boa cortina para não transparecer a fragilidade de quem a
pronuncia.
Recentemente alguém proclamou
essa frase em conversa comigo. Não pude sentir nada além de desprezo pela
pessoa, por seu total desconhecimento da situação corrente, por sua total
alienação. Foi um liberal quem me presenteou com tal pérola. Atualmente me enojo com os liberais, e isso não é falta de conhecimento da “causa”: já
convivi com muitos liberais, leio bastante de economia liberal – o que via ou
outra me traz a esse ou aquele liberalismo político – e fui a várias eventos e “debates liberais”.
Jamais fui liberal, mas já tive
certa esperança na causa. Ela foi subitamente extirpada quando me deparei, de
fato, com um evento liberal e os seus palestrantes. Era uma situação pícara,
onde não sabia se ria, chorava ou xingava: todos aqueles “imponentes” e
intelectuais liberais, de voz mansa, de gravatas borboletas, completamente
frágeis em si mesmos e que não demonstravam força e virilidade alguma. Sei que
a aparência não faz o homem, tampouco suas roupas, mas a forma como se aparenta
o faz, pois é um reflexo de sua essência. O que quero dizer com isso é que
havia uma ausência de virilidade, de espírito combativo sem tamanho, em todos –
eu reafirmo: todos – os liberais que já encontrei em minha vida. Suas entonações
de voz, seus excessivos “modos”, suas gravatas borboletas, seus modos de
andar... tudo era e é tão cômico. A um homem desses eu não confiaria uma
banana, mas eles lá e cá se projetam em nome de uma liberdade da qual,
provavelmente, desconhecem completamente – além da liberdade que é dada a todo
homem: a de ser ridículo.
Já assisti a certos eventos
liberais, já li muitos artigos liberais e já conheci, como dito, muitos
liberais. Todos defendem o livre-mercado, o potencial individual etc. Mas de
que defendem? De tudo isso que cá está, óbvio! Mas o que cá está? Cá está uma
situação onde impera a histeria, o grito, o movimento de massas, a emoção, a
irrazoabilidade, o vil, o mau-caratismo... Enfim, cá está uma situação em que
não se preza por norma alguma, absolutamente. Entretanto, que fazem os
liberais? Presenteiam-nos com argumentos sem fim; com artigos rebuscadíssimos
acerca da liberdade para, assim, tentar combater todo esse coletivo decadente. Não
faz efeito algum. Tal como há gente enriquecendo em nome das idéias
esquerdistas, não me parece que fazem, de fato, muita diferença, os tais
liberais, no tocante ao seu liberalismo... A liberdade econômica é só uma
conseqüência proveniente de uma moral pré-estabelecida, de valores bem
consolidados. Sem isso, ela é impossível e para se ter tal configuração social
é necessária uma coisa, exclusiva e impreterivelmente: o fim da liberdade.
A liberdade finda ao se entrar
numa sociedade, ao se sincronizar com outrem. Platão, em A República, ilustra
muito didaticamente o que faz nascer uma cidade que é a necessidade. Há a
necessidade de conforto, atrelada a de riqueza e a muitas outras, mas uma é
salutar e primária, que é a sobrevivência. A liberdade, conhecida e dita pelos
liberais, é também uma idéia romântica, amoral e que ganha uma forma quando com
alguém e outra forma quando com outro alguém. É aquela coisa que tem de ser
tudo, ao mesmo tempo em que é nada, para assim tentar agradar a todos.
Com efeito, pretende-se uma norma aqui, outra ali: mas nada muito grande,
impactante, de valor robusto, que é para não minar os desejos alheios. Se quer
conservar a liberdade puramente pela liberdade. Não se almeja conservar
valores, condutas e cultura. O que se está em jogo, aqui, entre os liberais, é
uma ânsia por uma nova religião, a da liberdade. Liberdade em prol do quê, para
tornar livre quem, não se sabe. O que se sabe, é que é bom deixar a porta
aberta que, ontologicamente – é claro! – a mão invisível nos traz tudo. Não há como haver civilização alguma mantida a meros preceitos técnicos, que só existem para satisfazer o
indivíduo, única e exclusivamente, mas eis que aqui estão os liberais:
pioneiros, desbravadores de um novo mundo, um novo homem, uma nova moda:
gravatas e manuais de economia para todos.
O liberal quer conservar o
livre-mercado, instituições políticas bem definidas para facilitar o mercado;
gosta de estabilidade social, para assim o livre-mercado correr bem; pretende
consagrar o fim do Estado, para que não haja empecilho ao mercado; deseja,
quase que sempre, fazer uma ponte entre livre-mercado e liberdade, sendo ambas
as coisas completamente dependentes umas das outras, quando não são. Já comentei aqui: primeiro,
antes de tudo, há o fim da liberdade. Em seguida, há o estabelecimento de leis
e a garantia de sobrevivência. Após isso, segue-se inúmeras coisas, e depois se
chega ao livre-mercado. Bom? Sim. Necessário? Não.
Se se deseja conservar algo, é
porque há, em alguma camada mais interna ou externa desse algo, alguma coisa
que possui valor em si. Tal idéia me parece há muito ser esquecida pelos
liberais. Alguns diriam, “é a liberdade”. Não, não é: a liberdade é um estado, uma circunstância. O que há, é algo metafísico; é uma
lei que precede todas as outras e que, de alguma forma, é universal – em
medidas e frequências diferentes, é claro, mas universal. Tamanha negligência
para com um aspecto fundamental da vida, isso que fazem os liberais, e que está
exatamente para além da vida, não os torna muito diferentes de todo o resto que
eles acusam: ambos materialistas, ambos decadentes, louvando coisas perecíveis
e passageiras; atribuindo valores absolutos a coisas ridículas e secundárias,
terciárias, submetendo qualquer significado absoluto à patética vontade individual momentânea.
O liberal tem essa
peculiaridade, que foi a que me deu a inspiração para iniciar tal texto; essa
peculiaridade que é a de, no lugar de esbravejar, falar manso com a manada; no lugar de
ser desleixado, ter modos com a manada; no lugar de ser irracional, presentear
os irracionais com livros, enciclopédias sem fim; no lugar de lutar, tentar
fazer palestras a fim de mostrar como seus argumentos são superiores – ainda que desconheçam completamente a causa real... Ah, o
liberal... Ele é um mártir de uma coisa que, se muito, é
designada como “liberdade” e que, talvez por afinidade sonora, haja certo
séqüito para aquele que a proclama... Mas que liberdade, liberdade a quê,
liberdade a quem? Liberdade a quem quer destruir a sua liberdade? Liberdade a
quem quer profanar a sua sociedade? Liberdade àquele ignora completamente
qualquer juízo de valor e ignora também a vida humana em prol de uma idéia,
causa? E, a propósito, os liberais não parecem fazer isso também?
De poucas coisas eu tenho certeza
nessa vida, mas uma delas é que o que se quer que deseje conservar, de fato,
vale a pena dar sua vida para tal coisa e, assim, abrir mão de qualquer
civilidade para com o inimigo. Não se está apto à idéia alguma aquele que não
está apto a zelá-la mais que a si, pois sua vida entraria em completo fim sem a
ciência de que há algo muito maior que si mesmo. De modo que é tempo de
abandonar os livros, os bons modos, as gravatas e o liberalismo, essa eterna
passividade, condenada a um museu de comédia por tentar atribuir ao espaço vazio o fantástico significado que é o da “liberdade”.
domingo, 21 de abril de 2013
Falemos sobre o racismo
Antes de tudo, é
mister observar o “antes, durante e depois” no tocante ao racismo e às idéias
similares. Vamos a isso, então.
Sendo bastante categórico, posso afirmar que as idéias de que o
negro fosse uma espécie inferior só surgiram após o iluminismo e a famigerada
Revolução Científica. O descompromisso para com os povos de além-mar, promovido
pelos ibéricos, não era nada além de um "desprezo" para com uma outra cultura – e
não um "desprezo" para com uma cultura em especial, ou um grupo étnico em
especial. Ainda assim, é notório reafirmar o que já se sabe: negros escravizam
negros, e, para eles, isso sempre fora natural. É verdade que o negro se tornou
mercadoria doravante no mundo ocidental. Mas cabe aqui pontuar duas coisas: o
negro era uma mercadoria, mas também era um investimento. Pesa-me pensar que
açoites eram naturais, e sadismos no mundo ocidental existisse a toda. Não me
parece razoável danificar um investimento assim, de modo tão banal e doentio. É-me
razoável pensar na escravidão moderna como um vício de uma cultura inferior que
contaminou uma cultura superior – há muito já distanciada de uma conduta tão
desumana –, posto que a
única cultura e povo que se permitiu uma auto-crítica e reflexão sobre seus
atos fora essa, a nossa. Não me parece que os negros se permitiam questionar a
escravidão e a submissão hedionda que infligiam uns aos outros – que nada lhes
valiam, já que sua produção já era garantida e escassa. Na realidade, a
inutilidade do negro dentro de inúmeras tribos africanas só contribuía para
negligência e crueldade para com eles. O fato é que os negros se escravizaram
por séculos, bem como os islâmicos – onde até hoje não houve auto-crítica
alguma. E não me parece que haveria auto-crítica dos povos negros sobre si
mesmos – vide o Sudão atual – , assim como não havia entre os astecas ao
promover sacrifícios infindos. De modo que há de se tirar o chapéu para a
cultura ocidental, cristã.
Posto tudo isso,
cabe-me refletir de modo mais profundo a questão racial e o racismo no Brasil –
sem querer bater o martelo e afirmar que existe ou que não existe tal fenômeno.
A identidade do
negro parece-me, sobretudo, uma das coisas mais artificiais que existe: uma
mistura de ritos, condutas e folclore de inúmeros povos africanos, cujos
registros e essência se perderam há muito e que, não raro, são provenientes de
origens díspares. A identidade negra, em que tenta sustentar-se o movimento
negro, é forçosa e frágil. É uma cultura de aspectos, que visa o parecer – com
finalidades infindas – e não o ser. No mais, não se distancia tanto da cultura
racista, que prioriza uma análise superficial para julgar outrem. Assim que, se
for para condenar uma das duas, que se condenem as duas, pois se sustentam em
mesma complacência fetichista e vulgar, que é a da aparência.
É indissociável
o racismo de uma cultura cujos valores se sustentam no parecer, e não no
indivíduo em questão. O racismo jorra quando se é evocado, e quando também se
pretende evocar. É um equívoco grave, porque é um julgamento de um indivíduo
que se sustenta num coletivo, num estereótipo. E é aí, também, onde reside uma
de minhas grandes críticas ao movimento negro: a idéia de massa. Penso que
movimento algum possa representar o indivíduo completamente, de fato. Há uma
parte substancial e definitiva do homem que está condenada à solidão: a sorrir
só e a sofrer só. Os movimentos de massa, a coletivização de dores, a
reivindicação de direitos para uma parcela, se perde entre as lideranças que
puxam as rédeas para manobras políticas, e nunca chegam ao indivíduo. E por que
não chegam? Porque jamais poderiam realmente chegar. O homem tem de se projetar
para frente da sociedade, a fim de não ser esmagado por ela e, ao mesmo tempo,
triunfar sobre ela. Aliás, boa parte de homens admiráveis foram oriundos de
ambientes perversos e de circunstâncias nefandas. Cismo, cá comigo, que o
sofrimento seja uma das vias de ascensão espiritual mais eficaz... A questão é
que Machado de Assis triunfou numa sociedade repleta de idiossincrasias
mesquinhas e vãs. E não me parece que ele teve tanto ou mais trabalho que um
Beethoven, ou um Pelé ou um Santo Agostinho e até mesmo Jesus Cristo – isso só
para citar por cima.
Por fim, uma das
coisas mais irônicas e curiosas de todo "esse agora", é que se apresenta o Brasil como
conhecido pelo samba e Pelé – o que é verdade –, coisas
genuinamente "negras", mas que parecem ter sido incorporadas por uma "burguesia-leviatã" que a tudo transforma em produto e que as consumiu – mas sem dividir o “lugar
ao sol”. O que me ocorre, com todo esse "resgate" de movimentos de minorias, de teses entupindo faculdades sobre o assunto, é que a história
irá se repetir, somente. Assim segue.
sexta-feira, 12 de abril de 2013
Igreja Machista
A fidelidade exprime a constância em manter a palavra dada. Deus é fiel. O sacramento do Matrimônio faz o homem e a mulher entrarem na fidelidade de Cristo à sua Igreja. Pela castidade conjugal, eles testemunham este mistério perante o mundo.
S. João Crisóstomo sugere aos homens recém-casados que falem assim à sua esposa:
"Tomei-te em meus braços, amo-te, prefiro-te à minha própria vida. Porque a vida presente não é nada, e o meu sonho mais ardente é passá-la contigo, de maneira que estejamos certos de não sermos separados na vida futura que nos está reservada... Ponho teu amor acima de tudo, e nada me seria mais penoso que não ter os mesmos pensamentos que tu tens".
2365 -- Catecismo da Igreja Católica
quinta-feira, 28 de março de 2013
Religião e Política
"Mas religião e política não se devem misturar. Partido político não pode ter bandeira religiosa", gritam as vozes sem rosto da modernidade inconsciente.
Eis que, vindas do nada, como um imperceptível sussurro, outras vozes dizem...
"Muito pelo contrário, partido político pode e deve ter influência teórica de valores referidos à religião, seja qual for a referência. O problema é que tem-se criado no Brasil esse esquema ditatorial onde apenas um posicionamento religioso pode ser representado: o ateísmo. O ideal da democracia é que - considerando que a opinião de cada homem é importante - cada um encontre pessoas que representem suas opiniões na política de forma tão simétrica quanto possível. E de onde vêm essas opiniões? Vêm de toda a formação cultural, emocional e mental do sujeito. Parte dessa formação, inevitavelmente, encontra e se mistura com as respostas que cada um encontra diante do movimento natural da vida humana de se perguntar o que há além, qual a origem comum de tudo, qual modelo de ação representa o sumo bem etc. Dizer que política não pode se misturar com religião é como dizer tuas opiniões importam, Pessoa, menos aquelas motivadas pelo que você estudou na faculdade, ou menos aquelas motivadas pelos teus sentimentos de perigo, ou qualquer outra coisa. Resultado: quem quer que você "escolha" após essa mutilação moral, não será alguém que lhe representa de forma simétrica. Morre a democracia.
Além disso, as opiniões devem ser ouvidas sem que se selecione de onde vêm (a menos que venham de suborno). Isso daí é parte da vida pessoal de cada um, onde o Estado não deveria intervir. Se um conjunto de opiniões representadas vence eleições e ganha representação, não interessa as motivações abstratas de cada votante. O governo deve representar o homem e, infelizmente, o homem pensa na transcendência, no conceito de bem e em seres elevados. Esse pessoal gayzista devia simplesmente aceitar as escolhas da maioria. Se começarem a selecionar QUANDO as regras do jogo contam, o lindo e maravilhoso respeito às minorias vai simplesmente virar governo das minorias: ditadura"
Mas as vozes sem rosto concordam "em parte", e põem-se a proclamar que, "Como pode um pastor ter poder político, qualquer que seja? Do jeito em que vamos, logo deixaremos de ser um gracioso Estado Laico!". E voltam, de algum lugar, as vozes de uns poucos, as vozes outras, as vozes que sussurram...
"O movimento cristão organizado não mostrou até agora nenhuma, nenhuma, tendência à abolição do laicismo em si. Esse momento histórico 'tá disfarçadamente construindo um verdadeiro Estado Ateu, no velho perfil comunista, sob a máscara bonitinha de "laico". Que eu lembrasse, um estado laico seria aquele onde não haveria uma religião oficial impositiva, ou seja, ou seria sem religião oficial, ou teria uma religião oficial (refletindo a maioria da população, ou o histórico de fundação do país) ao mesmo tempo em que respeitaria as liberdades individuais de prática de religiões diferentes da majoritária. Isso é um saudável laicismo onde as pessoas vão às urnas motivadas por seus valores individuais e escolhem a forma de representação, podendo - de forma legítima - acontecer a coincidência de, sendo a maioria budista, aprovarem leis de silêncio meditativo ou, sendo a maioria atéia, aprovarem aborto, drogas, e outras tantas porras SEM que se obrigue ninguém a aderir a esses valores na vida pessoal. Já na vida pública, quando se lida com milhares de pessoas, algumas sempre saem descontentes. É melhor que sejam em menor número possível: as minorias (que na individualidade não serão invadidas). A única coisa que a militância cristã tem feito é lutar legislativamente contra aborto, eutanásia, maconhagem etc. Ou seja, está usando de um instrumento legítimo da democracia. Repare que não estão pedindo que ateus sejam proibidos de votar, não estão pedindo que a eleição de um muçulmano seja anulada, quando ele vence alguma eleição (como tão a fazer com Feliciano). Tão apenas representando seus valores e buscando nos votos do povo apoio pra eles. Já essa militância gayzista, não tendo maioria legislativa, carrega a política de controle da vida pública através dessa seleção ABSURDA de quais valores são válidos ou inválidos para a motivação de votos (que falei na primeira resposta), como se eles tivessem a Sabedoria Supraterrena. Logo, 'tão cada vez mais a controlar a vida pública, e de forma ilegítima. Só que vão além disso: não contentes em terem esse controle imoral da vida pública, avançam sobre a vida privada dos cidadãos (fronteira que um PSC nunca cruzou). Você não viu a proposta de lei do esquizofrênico do Jean Wyllys, pedindo um marco regulatório da internet? Tem também essa absurda proposta de lei de homofobia, que proíbe meros discursos públicos contrários ao movimento gay, jogando em palavras (tendo elas ou não apelo de violência) a culpa por esse ilusório "genocídio" de gays que alegam (isso, claro, além do outro absurdo da vida pública de criar uma casta de seres superiores, cujo espancamento, por exemplo, cometido contra eles representará DOIS crimes (agressão física e homofobia), enquanto que agressões aos demais, aos reles mortais, representarão apenas UMA infração.
Os sussurros dessas poucas vozes que se conservam sãs em meio à loucura e à degradação do momento têm a Verdade e Deus ao seu lado. Mesmo sem o esforço vocal, serão sempre Gritos. Gritos de socorro para a mente humana e para os valores atemporais.
segunda-feira, 25 de março de 2013
Pelo fim da ciência como coisa decisiva
Para os céticos, o mundo é completamente cognoscível, crível e conhecido. Mas é um mundo do tamanho de uma mão.
Muito provavelmente não é essa ou aquela religião que te leva a Deus. Todas te levam, de alguma maneira. Umas são mais primitivas, se se deseja analisar a coisa sem temer taxações delirantes de etnocentrismo, mas, no fim, todas apontam à mesma coisa. O caso é que se ''caíste'' aqui, no ocidente, por que te tornares hindu ou coisa do tipo? A religião é uma compreensão cultural de um povo. Ela nasce de uma comunidade. A ela precede uma infinidade de mitos, objetos e acontecimentos. E ela os conserva, pois os racionaliza – sim, racionaliza – e os dá resguardo.
Pode parecer provincianismo, mas de todas as crenças (incluindo o materialismo ateu também), não há doutrina mais perfeita que a cristã – para tal afirmação cabe somente algumas leituras sobre a História da Igreja. Assim, se te apetece duvidar, duvide. Mas vais ficar como um cachorro atrás do rabo sem ir a canto algum. É um suicídio tudo isso.
Podes, é verdade, indagar o cristianismo, a ponto de negá-lo: isso é crível, podes fazê-lo, sem dúvida. Mas que irás colocar como substituto? Outra fé? A ciência, que não profere, sendo muito otimista, nada além de um recorte da realidade? Se o homem vive é porque crê em algo e de algum modo lhe é importante viver. A perspectiva cristã da vida é de longe a mais completa. Um exemplo disso é o fato de seu alcance, longevidade e contribuições ao mundo. Mas certo, diga-se que se quer ser cético. A que isso te leva? À loucura, ao delírio, a um mundo multidimensional onde tudo pode ser certo, ao passo que tudo não é certo; a um bacanal de perspectivas inúteis que só te serão úteis para não pensares em tuas falhas – o velho comodismo. A razão sem fé é inútil. Você vai sempre chegar a uma pergunta sem resposta, analise o que quiser: do comportamento de uma formiga, ao cosmos. A ciência tem a pretensão de saber o infinito, ainda que seja completamente inútil, pois o ente é extremamente perecível, passageiro e frágil. E, dessa maneira, só comprova a vaidade e a pequenez de quem se guia pela ciência só e somente.
As pessoas negligenciam uma coisa muito importante, ao tratar de tais temas: a confiança. O cristianismo clama para que possuamos isso. Todo o mundo, toda a sociedade, está assentado sobre uma camada enorme de confiança alheia e se sustenta com isso também – ou ainda: tudo se baseia em evidências, a priori, que são inquestionáveis, até mesmo a ciência (especialmente a ciência, aliás!). Como só a ciência poderá me tranquilizar através de sua sistematização do mundo e de seu empirismo quase que irreal (vide as condições criadas que são completamente anti-naturais para provar teorias científicas), de que se eu jogar algo no chão ele irá cair? Pode-se juntar infindos documentos provando que isso já aconteceu e que tende a acontecer de novo, mas não prova que tornará a acontecer. Vê? O ceticismo é um cárcere.
Todas as coisas mais salutares, que fazem ser o que somos, nunca poderão ser quantificadas ou conceituadas e, por tabela, abarcadas por uma ciência ou um mecanismo qualquer. A ciência, só, é uma demente, uma aleijada.
A religião não peca ao exaltar a Revelação. A religião, na realidade, tem é um grande mérito ao evocar a Revelação – se é que se pode dissociar ambas as coisas . O pecado aqui é a vaidade que jorra aos montes no mundo de hoje, em pleno vapor, gritando para todos ouvirem, abafando todo e qualquer outro som, tentando estar além do bem e do mal para evitar a complexidade e a nobreza de uma auto-reflexão.
quarta-feira, 6 de março de 2013
Considerações sobre o Bhagavad-Gita
1. O homem deve agir
conforme a necessidade da circunstância. Deve agir de modo indiferente aos
frutos; agir com total desapego à conseqüência e às benesses de seu esforço. O
homem que age pensando na boa colheita e no que desfrutará, corrompe-se, porque
toda a sua ação perde a substância e assim ele tende a cair em vícios e
perder-se hoje porque pensa no amanhã.
2. Nada mais empurra o
homem à corrupção e à maldade do que o desejo e a ira. A empreitada humana,
executada por uma idéia de que ela irá retornar como uma boa colheita, é
egoísmo e fraqueza. É como se dissipássemos a energia do “fazer agora” por
ficarmos regozijando o que pode estar por vir depois.
3. O desejo ofusca a boa
intenção e nos confunde no presente, no “agora da ação”. Devemos nos ater
àquilo que deve ser feito, porque as benesses da justiça não são só uma reação
à ação de hoje, mas também uma ressonância de nossa ação, só que proveniente de
uma outra extensão de nosso ser e/ou uma ação de outro ser. O mundo é ação.
4. Fraquejar diante de
adversidades e dilemas por temer executar uma determinada tarefa não te salvará
do fracasso, afinal a não-execução de uma determinada coisa é, ao mesmo tempo,
a execução de outra. A hesitação sempre vem do medo pelo depois e é aqui que
temos de retroagir ao fato de simplesmente fazer e ponto final. Fazer o que tem
de ser feito; combater o nosso medo e também a alegria; ter uma temperança
extrema, um equilíbrio mórbido.
5. Também se deve levar
em consideração o conceito do Yajna (sacrifício) no qual explica que todo ganho
desse e nesse mundo deve ser uma compensação por algo, por um esforço, mesmo
que de maneira indiferente – afinal
o desapego numa ação consiste num trabalho mental bastante elevado. Aqueles
que nada sacrificam mas a tudo usufruem são fracos de espírito, não se elevam.
É como se apropriarem de algo indigno a eles...
6. Há o corpo, mas também
os sentidos. Superior a eles há a razão, e a ela há o Atman (alma), centelha do
Deus. Dessa maneira, controlando o Atman, ordenamos bem a razão, que ordena os
sentidos e que, por sua vez, ordena o corpo: o
meio pelo qual se faz o que se deve fazer.
7. Deus não há forma e
tampouco é algo palpável, mas se utiliza de algo concreto para ordenar o mundo:
como o sol, para fazer o dia e a lua compondo a noite. Dessa maneira, percebemos
a regularidade das coisas. Para entrarmos em harmonia, então, devemos também ser regulares conosco ao máximo.
Assim trabalhos o nosso Ser e ele é a essência de todo o resto.
8. A verdade e os valores
sempre prevalecem pois são intrínsecos ao espírito. Seu antônimo, a
bestialidade, a desonra e o mal, não, pois não são coisas independentes e não
podem existir por si mesmas. Aquele que distingue o bem do mal, ao pé da letra,
é o homem sem interesse, sem a vontade de espiar o futuro – o mal é
simplesmente a ausência.
9. O autocontrole é o
meio pelo qual se consegue Ser.
10. Não há nada sem
sacrifício; não pode haver nada sem sacrifício. Ele legitima o sucesso, o
sabor. É a compensação pelo sorriso e pelo esforço; por todas as forças
intelectuais, físicas e espirituais suas que travaram entre si conflitos e
ascenderam ao mesmo tempo. O equilíbrio, portanto, faz-se mais do que
necessário. É também importante o conhecimento, o Jnana, que é aquela percepção
além do intelecto; um saber que parte do espírito e não do mero raciocínio e da
mera lógica humana.
11. Todos os esforços
desembocam em mesmo lugar; todas as ações findam em um mesmo ponto. A questão
não é onde chegar, mas sim como chegar. O homem cria esse caminho à medida que
se esforça para alcançar o que se almeja: essa espécie de perfeição, essa
espécie de completude. O esforço forja o bom caminho. A negligência é uma
desonra para com seu espírito, fragmento de um outro maior, soberano e essência
de todos. O homem deve se empenhar em tudo o que se propõe, sempre.
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