quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Em nome da liberdade, contra a ''liberdade''.

“Se a sociedade civil é fruto de convenção, essa convenção deve ser sua lei. Essa convenção deve limitar e modificar todas as categorias de constituição que se formam sob ela. Todo tipo de poder legislativo, judicial ou executivo, são suas criaturas. Elas não podem ter existência em nenhum outro estado de coisas: e como pode algum homem reivindicar, sob as convenções da sociedade civil, direitos que nem sequer supõem a existência dessa sociedade? Direitos que são absolutamente incompatíveis com ela? Um dos primeiros motivos da sociedade civil, e que se torna uma de suas regras fundamentais, é que homem nenhum deveria ser juiz em causa própria. Com isso cada pessoa renunciou, de imediato, ao primeiro direito fundamental do homem não pactuado, isto é, o de julgar para si mesmo, e propugnar sua própria causa. Ele abdica de todo direito a ser seu próprio governante. Ele, inclusive, em grande medida, abandona o direito de legítima defesa, a primeira lei da natureza. O homem não pode desfrutar os direitos de um Estado civil e os de um estado incivil ao mesmo tempo. Para que possa obter justiça, ele abre mão de seu direito de determinar o que lhe é mais essencial. Para que possa garantir alguma liberdade, ele entrega em confiança sua liberdade toda”.


Edmund Burke em Reflexões Sobre A Revolução na França, 1790 


sexta-feira, 2 de agosto de 2013

A ação

Levanta-te e fazes. A ti não cabe julgar, mas fazer. A justiça só se encontra em um ponto, e é tão somente pela ação que se pode vir a encontrá-la. Não há nada mais significativo do que a ação: ela inspira-nos, faz-nos caminhar em meandros nos quais a mera lógica não pode seguir; ela incendeia o ponto mais profundo do espírito. É na ação, é na prática absoluta, do dia-a-dia ao fim dos dias, que se conserva o mundo. A justiça é isso: é a manutenção da ordem, a busca pela harmonia, o arder inevitável e absoluto do fazer.
A ação inspira. A ação inflama. A ação concebe.

Amém.


domingo, 28 de julho de 2013

Ontem, hoje e sempre



Em todo verdadeiro homem do ocidente pulsa agora a chama do combate. E ela há de incendiar a tudo... novamente.  







''A luminous angel guides the crusaders marching at night'' -- Doré

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Da política e da discussão moral

A moral precede, e muito, à política, e a determina sobremaneira! Não há política sem moral, não obstante há moral sem política. Tentar relativizar o conceito e minimizá-lo é só uma tentativa de validar um discurso político outro, que perde, naturalmente, toda a sua essência, já que não parte de moral alguma, mas sim de uma ''causa, uma luta''.

Comentários sobre o "estado laico" e a "questão Feliciano"



''--Quais deveriam ser as convicções pelas quais se guiar? A da justiça social, a da igualdade universal, a da moral mundial? Todas essas são dissociadas da realidade, atendendo só ao fetiche do agora de relativizar a tudo. Essas considerações são todas mundanas e infundadas. 

Sei que o caso é o Feliciano, mas se ele está lá, ainda mais agora com essa onda do politicamente correto, é porque há uma representatividade muito forte, e ainda que eu tenha minhas diferenças com evangélicos, respeito esse rincão que eles ocupam, pois é mais válido que qualquer blábláblá moderno sobre ''estado laico e direito para todos''.

E vou mais além: Estado algum deve se meter na religião, sendo que essa é uma confluência de tradições e preceitos morais que precedem e muito a esse usurpador da idéia de bem comum -- pois não! usurpador, pois sempre que tentou-se torná-lo legítimo medidor do bem-estar de todos, normatizar a conduta por vias policiais, acabou-se com sangue no chão (os exemplos se perdem no horizonte histórico). 

Por que a religião se torna perigosa quando se entrelaça com o Estado, sendo que esse provém exclusivamente de uma cultura, e essa jamais existiria sem uma reflexão coletiva e a concepção de elementos metafísicos? O secularismo é que nos mata desde a Idade Moderna: fomentou os “sem-terra”, a escravidão, a destruição de instituições sociais após a Rev. de 1789 etc. 

De onde provém ''as leis absurdas da religião''? De um grupo minoritário que detém o poder, ou de uma maioria, resguardada por séculos de tradição? E de onde vem a sua crítica senão de grupos de pressão, minoritários, de cinco décadas atrás? A religião fez mais pelo mundo do que todos os Estados e panelinhas minoritárias fizeram e um dia podem vir a fazer. A título de aprofundamento, ''Como a Igreja Construiu a Civilização Ocidental''. 

A religião cristã, a da discussão, defende ferrenhamente a liberdade de errar. Não obstante, prega que seja escancarado o erro. Nunca vi a Igreja perseguindo homossexuais, nem muito menos abortistas -- embora a esses se deveria. Na realidade, a Igreja é que defende a separação entre o poder temporal e atemporal, que tanto nos legou sangue após os estados nacionais quererem fundi-los [questão Guelfos x Gibelinos]...

A verdade é que doa a quem doer, o único mundo em que pode haver minorias e gente criticando as próprias instituições, com liberdade para tal, é esse que os grupos de pressão querem destruir. Sem querer parecer escatológico, mas a ''txurma do amor'' é sempre a primeira a morrer quando se finda instituições legítimas, fundadas pelo povo e validadas pela História.''




domingo, 23 de junho de 2013

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Para esse tempo de histeria coletiva e reclamações por direitos, assistencialismo e demais coisas, cabe um pertinente pensamento de Ortega y Gasset:

''La nobleza se define por la exigencia, por las obligaciones, no por los derechos. Noblesse oblige. «Vivir a gusto es de plebeyo: el noble aspira a ordenación y a ley» (Goethe)... Los privilegios de la nobleza no son originariamente concesiones o favores, sino, por el contrario, conquistas''.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Marcha das vadias


A histeria coletiva desvairada – e já por isso ridícula – das marchas das vadias, recém-realizadas, esconde uma face de total alienação e ausência de senso histórico, lógico e de uma mínima reflexão. Tamanhas negligências, embora explícitas, foram pouco aludidas nos diversos meios – sejam prós ou contras – e é por isso que irei aqui enumerá-las e evidenciar o assustador momento que padece a mente moderna.

Em primeiro lugar, quem organiza as marchas das vadias? São os setores libertários, semi-revolucionários – ou com afã para tal – que flertam alucinadamente com as idéias de esquerda, fundindo-as em princípios anarquistas e até mesmo absorvendo certas óticas conservadoras, findando num samba do crioulo doido que só poderia ser visto, em toda a sua decadente dimensão, aqui mesmo, em terras tupiniquins. Mas antes tais setores limitassem-se a só esbravejar contra o truculento “sistema sexista”, “opressor”, que muitas vezes culpa as mulheres pelos estupros e crimes mais hediondos que são acometidas – pois, salvo engano, esse foi um dos temas salientados nas marchas das vadias esse ano. Assim, gritam contra um sistema machista que vitimiza o meliante, em diversos sentidos, como se ele fosse uma pessoa que foi levada, em grande medida, pelo ambiente em que está, a cometer tal delito, e quase que criminaliza a vítima estuprada. E o que temos aqui, senhores, senão um produto de decênios sem fim de “direitos humanos”, “penas alternativas” e discursos como “o marginal é produto de um meio sem oportunidades”? Não temos nada além disso, nada, absolutamente. Mas quem vocifera, há décadas, em nome dos criminosos, senão seres de mesmo cunho ideológico, ou semelhante, daqueles que estão a tirar os sutiãs e gritar palavras de (des)ordem em vias públicas exigindo um “direito” que lhes foi roubado por uma sociedade cristã, ocidental e moralista? Essa tal sociedade é, na realidade – a semi-hipotética, pois tal sociedade já não mais existe propriamente – o único rincão de resistência a toda barbárie gnóstica, desvairada e relativizante que muitos aí estão a reclamar. Pois, não são os cabeças dessas marchas todos de esquerda, que olham com lágrimas nos olhos para os “bestializados” e “vulneráveis sociais”, quase que se comovendo quando esses saltam para uma vida ímpia, afinal a culpa é da norma, da ordem, e não da blasfêmia e da desordem?

Desmascarada tal coisa, cabe-nos refletir sobre a mulher e a sua independência. Independência do quê? Da família, essa instituição repressora, autoritária e mentirosa; essa instituição fingida, hipócrita. Pois bem, tiramos a mulher do marido, dos filhos – assim reclamam eles – e as põem no mundo. Entretanto, onde, de fato, está a maior vulnerabilidade: entre os seus, o seu marido, seu pai, seus irmãos, seus filhos etc., ou no mundo, com um desconhecido, submetida a um patrão? – Que horrendo! Um patrão! O ícone-mor da sociedade opressora e exploradora! Para as favas esse discurso sobre a família, heteronormatividade e sexismo. Para as favas! Isso é coisa que qualquer doente mental pode deduzir: o mundo é, muitas vezes, imperdoável. A família não. A família, dizem eles, esses leitores de Marcuse e cia., é o ponta-pé inicial para dar-se no reto alheio e jogá-lo numa sociedade doente e vil, sendo que o propósito da família e a sua manutenção por todos os séculos, em todas as culturas, é para única e exclusivamente esse fim. Entretanto, por Deus! Onde, onde a família é um produto de uma ordem outra e não a causa dessa ordem e de todas as demais? E como dizer que a família reproduz, inevitavelmente, a exploração e danação do homem, quando ela se deu naturalmente em todas as culturas, por mais díspares que tenham sido, tanto em primitivas culturas, passando por épocas distintas de uma mesma cultura, mesmo que tantas culturas tenham permanecido no mais completo “comunismo puro”?

Nada, jamais, conseguiu validar tanto a vida humana como a cultura ocidental. Zelo pela vida alheia, respeito por outrem e reconhecimento da importância do ser, jamais se deu em cultura bárbara alguma, por menos “propriedade” que houvesse ou a total ausência disso. Curiosamente, e isso é um ponto a se escancarar com todas as forças, esses grupos de pressão que clamam por minorias quaisquer – as mulheres, nesse texto – têm somente um único e centesimal segundo de validade, que é quando se apossa do elemento cristão para assim tentar validar a vida e liberdade de outros. Mas isso tudo se perde no momento em que se funde com essa barbárie tresloucada, sem sentido algum, dessa ideologia vermelha que tanto presenteou o solo com sangue nesse mais de um século e meio de vida. E, obviamente, o tal samba do crioulo doido atual não poderá fazer melhor por nós.


Por um fim da marcha das vadias e todas essas outras marchas com perspectivas míopes, vulgares e rasas da vida. Que haja nobreza, clareza e força de vontade. Fora a massa que a tudo contamina e destrói.