A verdadeira
apreciação musical foi aniquilada com a chegada dos etnomusicólogos. Quando a
importância de uma obra passou a ser depositada não no seu conjunto de criação
- sendo este, já desde Aristóteles, o busílis da música -, mas nos seus
contextos específicos, criou-se, então, a mescla entre o som e a origem do ser
que o emitiu. Ora, a cor, a nacionalidade, o físico e o contexto de um artista
só são importantes para abranger uma visão maior da obra. De fato, Beethoven
não pode ser compreendido sem se compreender, antes, a Alemanha idealista de
Hegel; Chopin sem a Polônia não faz o menor sentido; E Vivaldi sem a Itália e a
tradição católica é oco. Mas qual seria a verdadeira influência da minha cor
quando toco José Maurício Nunes Garcia? E qual é a real relação entre a minha
nacionalidade latino-americana com as minhas interpretações de Astor Piazolla?
A ligação que os musicólogos modernos estabelecem entre o contexto do músico e
a sua obra é, no mínimo, uma destruição da teoria musical. E é por isso que
Adorno e cia., neste impulso maldito de desmerecer a obra clássica, chegam ao
máximo da distorção hermenêutica da música: eu toco melhor Heitor Villa-Lobos
por ser brasileiro. É tanto charlatanismo que dá dó (menor sustenido com
sétima, pois é atonal e ''verdadeiro'', segundo o frankfurtiano).
quarta-feira, 11 de setembro de 2013
sábado, 7 de setembro de 2013
Modern day students
Três tipos de estudantes dominam as universidades e escolas atualmente:
o sério, o perdido e o desinteressado. Quando falo em estudante
sério, refiro-me àquele que é ávido por conhecimento, não importa de que tipo
e, percebendo que algumas matérias são indispensáveis e obrigatórias, o próprio
condiciona seu interesse e seu espírito para compreendê-las, fazendo do
professor não um mestre, mas um companheiro na busca pela verdade. Existem,
também, os alunos perdidos, que nada sabem, mas têm uma alma honesta e uma busca
verdadeira pelo saber, e que, para tal objetivo, precisam de um líder, um guia,
um sábio que os ensine (ou seja, o professor). E finalmente, para coroar a desgraça
educacional de hoje em dia com espinhos de ouro, existem os desinteressados,
filhinhos de papai, totalmente alheios à unidade do real, que mais estão lá, dentro das decantes universidades e escolas,
para adquirirem um meio mesquinho de obter dinheiro, ou para agradar o grupo
familiar. O tipo dominante de estudante, hoje em dia, infelizmente, pertence à
terceira categoria.
Não é preciso ser cientista político para concluir que, com o advento da
pedagogia social, a primeira classe de estudantes tem sido extinta. O aluno que
cultiva o saber, hodiernamente, está nas adjacências mais obscuras das escolas
e universidades, tendo seus objetivos desencorajados ou deturpados pelo
establishment educativo, fazendo com que a educação vire uma espécie de troca
mecânica de métodos, uma forma de repetição orangotânica, que, disfarçada de
''rigor acadêmico'', mostra-se, na verdade, como uma destruidora de qualquer
atividade útil.
Junto a isso, a quantidade de alunos vagabundos só aumenta a cada dia.
Com a perspectiva doentia do ''no child left behind'' (crianças mesmo, pois 90%
dos estudantes universitários beiram a infantilidade maternal), qualquer
governo atual pensa que é sua obrigação colocar todas as pessoas numa
universidade. E o resultado disso não poderia ser outro: pessoas incapacitadas
para cargos de extrema necessidade social. Economistas pobres, médicos que não
se cuidam, professores que não sabem aprender (nem ensinar) e escritores que
não sabem sua língua natal são apenas algumas das aberrações que ocupam as
altas esferas de trabalho.
Sentados no canto fundo da sala, por medo ou timidez, estão
(provavelmente escondidos ou calados), por fim, os alunos de cabeças frescas,
honestos e abertos a todo tipo de doutrinação. Estes são os mais injustiçados
do processo inteiro. Vítimas de uma geração já moldada nos preceitos
piagetianos-freirianos, tais pobres almas já recebem uma tonelada de
informações esquerdistas unilaterais, prontas para serem repetidas a qualquer
momento, apenas para agradar o digníssimo magistério. Não mais o professor deve
ensinar os alunos a cultivarem a sabedoria, a amarem as matérias; deve, na
verdade, espalhar o assunto de forma aleatória, deixando mais dúvidas que
respostas, podando todo tipo de pensamento contrário à sua autoridade de
''mestre'', negando peremptoriamente qualquer resposta aos mais simples
questionamentos.
Só se pode deduzir, em meio de tais condições educativas, que os
professores, alunos de outrora, não estão, de maneira alguma, exercendo o
verdadeiro ensino, tampouco estão cientes das sua próprias falhas como
educadores. O verdadeiro mestre não demonstra sua matéria apenas; ensina,
também, a cultivá-la, a amá-la; ensina o aluno a associá-la com a realidade, forçando-o
a gostar de cada pormenor que determinado tópico demande, cumprindo, pois, o
real objetivo da aulética: colocar no estudante o verdadeiro desejo pelo
conhecimento.
''Colocar? Forçar? Incrustar gostos em outras pessoas? Mas que coisa
mais conservadora, antiquada e reacionária'', alguns dirão, com sede de enfiar
seu ativismo político na área pedagógica. Não! Nada há de ''reacionário'' em
cultivar a sabedoria em mentes perdidas. Há, na verdade, uma obrigação, um
dever por parte do professor, que consiste exatamente na conversão do
conhecimento em algo que eleve o espírito, que seja útil à alma humana, fazendo
com que tal assunto seja de real importância para o educando, e não uma simples
cadeira universitária ou escolar obrigatória. E para isso não há técnica. Há de
se criar, na verdade, uma organização de educadores menos preocupados com ''o
mundo melhor'', e mais focada em deixar pessoas melhores para o mesmo mundo de
sempre. Quem sabe assim, quiçá, no futuro, o número de estudantes desinteressados
seja, pelo menos, menor que a quantidade já escassa de alunos sérios.
sexta-feira, 6 de setembro de 2013
Pensamento de caixa
É comum entre os intelectuais modernos o hábito de procurar os erros e acertos quando lêem Aristóteles e Platão, podando os cons e destacando os prós. Desde que Marx lançou essa moda, interpretando Hegel de cabeça para baixo, virou costume adequar os escritos antigos à ideologia particular do cidadão. Mas isto não é filosofia. Faz parte da tradição filosófica transportar as palavras antigas, atualizando-as, tirando delas a poeira deixada pelo tempo. Foi isso que Santo Tomás de Aquino e Avicena fizeram quando colocaram suas mãos nos textos aristotélicos, incorporando-os em seus respectivos contextos, sem alterar, no entanto, os dizeres clássicos de maneira perversa ou adaptativa. Porém, a deturpação ideológica é tão maciça, tão esmagadora e dominante, que não há mais quem não altere Aristóteles para todos os fins (políticos, econômicos, partidários, culturais, e até sexuais). Essa tentativa pacóvia de mudar o passado resulta naquilo que Mortimer Adler dizia (e temia): ''estão lendo tão errado que é o mesmo que não lerem''. É preciso um filósofo para transpor outro filósofo, e não é qualquer pessoa que faz isso.
quinta-feira, 5 de setembro de 2013
Chamado à guerra
O tempo de hoje é o tempo das massas. E as
massas a tudo estão a destruir – em esfera micro e macroscópica; rápida ou
lenta e dolorosamente. Não ser esmagado pela mediocridade, nem se deixar
cooptar por ela, carece enfatizar o eu individual, clamando num campo
espiritual, atravessando a tudo, permanecendo após todos, resgatando assim o
ímpeto que verdadeiramente construiu a História e fez a humanidade. É essa,
pois, a única maneira de não se deixar confundir pela corrente que iguala tudo
a uma mesma e torpe coisa. São essas, então, as opções de hoje: ou ser quem, de
fato, deves ser, com toda a força, de
todas as formas, ou não ser nada.
sexta-feira, 9 de agosto de 2013
Aos Emocionados
Àqueles que acham vital o “barulho” das minorias, dos “grupos perseguidos, estigmatizados e completamente postos à margem da sociedade”: acordem! Só o fato de possuírem tamanho espaço público, total cobertura midiática etc. demonstra o quão NÃO ESTIGMATIZADOS eles são.
A atul cobertura da mídia potencializa uma ação de trinta pessoas, parecendo que é uma ação de trinta mil pessoas; domínios públicos os favorecem sobremaneira; politicamente encontram, no mínimo, cumplicidade em todos os setores, bem como conivência da opinião pública... Acordem, acordem, acordem! A quem atende o choro das minorias? Às minorias é que não são. Por definição, grupo minoritário é aquele sem grande saliência, peso, pois não representa o anseio majoritário de um povo, uma nação – sendo mais explícito, eles estão à parte disso, mas não porque lhes foi imposto estar, mas sim por sua própria gênese. As minorias não podem, jamais, ditar regras, ou deixarão de ser minorias -- o que, naturalmente, desmantelaria quaisquer de seus gritos de protestos, pois em seu alicerce está o apelo à emoção, a covardia em usar da boa-fé de outrem.
Quem ri com o choro das minorias? Não é incrível que numa sociedade machista, opressora, cruel, engessada socialmente, intolerante e fundamentalista haja espaço para paradas com um milhão de pessoas que deitam e rolam, sendo que não representam nem um décimo da população? As lágrimas que se derramam regam o solo da vileza e do cinismo, e o fruto não será outro, senão o da destruição.
A atul cobertura da mídia potencializa uma ação de trinta pessoas, parecendo que é uma ação de trinta mil pessoas; domínios públicos os favorecem sobremaneira; politicamente encontram, no mínimo, cumplicidade em todos os setores, bem como conivência da opinião pública... Acordem, acordem, acordem! A quem atende o choro das minorias? Às minorias é que não são. Por definição, grupo minoritário é aquele sem grande saliência, peso, pois não representa o anseio majoritário de um povo, uma nação – sendo mais explícito, eles estão à parte disso, mas não porque lhes foi imposto estar, mas sim por sua própria gênese. As minorias não podem, jamais, ditar regras, ou deixarão de ser minorias -- o que, naturalmente, desmantelaria quaisquer de seus gritos de protestos, pois em seu alicerce está o apelo à emoção, a covardia em usar da boa-fé de outrem.
Quem ri com o choro das minorias? Não é incrível que numa sociedade machista, opressora, cruel, engessada socialmente, intolerante e fundamentalista haja espaço para paradas com um milhão de pessoas que deitam e rolam, sendo que não representam nem um décimo da população? As lágrimas que se derramam regam o solo da vileza e do cinismo, e o fruto não será outro, senão o da destruição.
quinta-feira, 8 de agosto de 2013
Em nome da liberdade, contra a ''liberdade''.
“Se a sociedade civil é fruto de
convenção, essa convenção deve ser sua lei. Essa convenção deve limitar e
modificar todas as categorias de constituição que se formam sob ela. Todo tipo
de poder legislativo, judicial ou executivo, são suas criaturas. Elas não podem
ter existência em nenhum outro estado de coisas: e como pode algum homem
reivindicar, sob as convenções da sociedade civil, direitos que nem sequer
supõem a existência dessa sociedade? Direitos que são absolutamente
incompatíveis com ela? Um dos primeiros motivos da sociedade civil, e que se
torna uma de suas regras fundamentais, é
que homem nenhum deveria ser juiz em causa própria. Com isso cada pessoa
renunciou, de imediato, ao primeiro direito fundamental do homem não pactuado,
isto é, o de julgar para si mesmo, e propugnar sua própria causa. Ele abdica de
todo direito a ser seu próprio governante. Ele, inclusive, em grande medida,
abandona o direito de legítima defesa, a primeira lei da natureza. O homem não
pode desfrutar os direitos de um Estado civil e os de um estado incivil ao
mesmo tempo. Para que possa obter justiça, ele abre mão de seu direito de
determinar o que lhe é mais essencial. Para que possa garantir alguma
liberdade, ele entrega em confiança sua liberdade toda”.
Edmund Burke em Reflexões Sobre A Revolução na França, 1790
sexta-feira, 2 de agosto de 2013
A ação
Levanta-te e fazes. A ti não cabe julgar, mas fazer. A
justiça só se encontra em um ponto, e é tão somente pela ação que se pode vir a
encontrá-la. Não há nada mais significativo do que a ação: ela inspira-nos, faz-nos
caminhar em meandros nos quais a mera lógica não pode seguir; ela incendeia o
ponto mais profundo do espírito. É na ação, é na prática absoluta, do dia-a-dia ao fim dos dias, que se
conserva o mundo. A justiça é isso: é a manutenção da ordem, a busca pela
harmonia, o arder inevitável e absoluto do fazer.
A ação inspira. A ação inflama. A ação concebe.Amém.
Assinar:
Postagens (Atom)

