As pessoas comentam entre si, assombradas, que jamais se viu tamanho nível de corrupção, tal qual ocorre no Brasil hoje em dia. Não comentam, entretanto, sobre a decadência institucional que esse país sofre desde o fim do Império. Parece que para elas não há relação alguma entre essas duas coisas. Mas enganam-se. Que faz de um homem alguém incorruptível? Seriam as leis, os instrumentos legais, preceitos técnicos, medo ... ? Não. O que faz um homem incorruptível é seu arcabouço moral; seus valores. E não se enganem: valores não germinam nas leis. Essas, na realidade, são única e exclusivamente consequência deles. Um homem torna-se incorruptível quando admite uma totalidade subjetiva, uma ordem moral, coisa essa que só pode ser concebida e transmitida no seio e pelas instituições. O homem nasce um selvagem! As instituições aperfeiçoam-no. São elas frutos de experiências infindas; são elas a democracia dos mortos, como diria Chesterton. Mas as pessoas não percebem isso... e seguem a entreolharem-se, assombradas, e a comentarem sobre desvios de caráter intermináveis — enquanto que, em outro momento, vociferam em nome de toda essa infâmia iluminista que relativiza e destrói o que temos demais vital.
quinta-feira, 17 de outubro de 2013
segunda-feira, 14 de outubro de 2013
Sem acordo
Para harmonizar as relações sociais, econômicas, políticas e morais das civilizações, criou o homem uma harmonia inconsciente entre essas aparentes tensões, à guisa de textos religiosos e revelações divinas, fontes, antes de tudo, de orientação, apontando para o Altíssimo; ora vacilando, ora acertando, um equilíbrio era atingido, mesmo que com dificuldades. As instituições, embora sempre susceptíveis a erros, mantinham suas palavras e honras, organizando-se da melhor forma possível. E no começo do século XX, essas mesmas partes das sociedades, outrora unidas, começaram a se contrapor. O liberalismo é ''ferino às idéias da Igreja'', alguns católicos dizem; ''o cristianismo é inútil para o livre mercado'', bradam alguns liberais; e exemplos dessas recentes brigas não têm fim.
Mas o sistema liberal de economia continua sendo sua exata palavra: liberal. Portanto, tudo, dentro da economia de mercado, é permitido, inclusive injustiças, acúmulo excessivo de dinheiro, diferenças de salários oceânicas, etc. Bastaria isso para notar que o mercado não se regula a si mesmo, com uma mão invisível, justa, pronta para estapear o primeiro crápula capitalista que cause à moral um arranhão.
E os católicos atuais, embora muitos deles possuam honestidade espiritual em criticar os liberais, não vêem que entre um estado grande, e um estado mínimo, este é melhor que aquele. Só no liberalismo clássico, com um estado pequeno, os católicos (também cristãos em geral e judeus) podem ser verdadeiramente livres para professarem suas crenças, e usarem, da economia livre, sua principal fonte de riqueza: a propriedade privada. Com isso, não só a sociedade fica mais religiosa, mas a religião fica mais social. Cada vez mais homens e mulheres ouviriam as palavras dos profetas e, sem dúvida, muitos, neste processo de expansão de fé, acabariam defendendo a mesma.
Os liberais, embora excelentes economistas e pensadores analíticos, não tinham uma noção límpida da práxis humana (com exceção de Von Mises, que, ainda assim, encontrava certos limites). Por serem extremamente talentosos em uma área específica, falhavam em focar nas outras, tão necessárias quanto formular o melhor dos sistemas econômicos. Böhm-Bawerk, Murray Rothbard, Friederich Hayek e outros liberais eram, em sua maioria, ateus ou agnósticos, completamente desinteressados nas bases morais do mundo ocidental, ou mesmo incapazes de notar a base moral do ocidente, isto é, a popularmente conhecida ''cultura judaico-cristã''.
Já os católicos gritam, quase em uníssono, que a Igreja condena a usura, ou qualquer tipo de ganância material. E isso é verdade. A Igreja de fato condena as injustiças econômicas. E é exatamente por isso que ela precisa coexistir junto ao sistema liberal econômico, não como dependente dele, mas como governante. É o cristianismo que defende o justo e condena o injusto, não a economia. Modelos econômicos, por definição, não podem ser classificados como ''imorais'' ou ''morais''. Fala-se disso de pessoas, e não de objetos inanimados. A economia tem tanta capacidade de ser ''moral'' quanto uma cadeira tem a possibilidade de ser feliz.
É de espantar a completa e entrópica cegueira entre liberais e católicos, não cientes de que eles precisam se ajudar, mais que urgentemente. Fica claro, pois, como o liberalismo necessita do cristianismo para proteger-se de si mesmo, e de como os cristãos não podem ser cristãos sem estarem livres. Liberais precisam de regras morais (cousa que só o cristianismo pode dar); e cristãos necessitam ser livres, econômica e socialmente (cousa que só o liberalismo econômico proporciona).
Mas não há razão para alarme. Fiquemos aqui, esperando que os liberais bolem uma economia à prova de injustiças e os católicos reconheçam que precisam do liberalismo.
Mas o sistema liberal de economia continua sendo sua exata palavra: liberal. Portanto, tudo, dentro da economia de mercado, é permitido, inclusive injustiças, acúmulo excessivo de dinheiro, diferenças de salários oceânicas, etc. Bastaria isso para notar que o mercado não se regula a si mesmo, com uma mão invisível, justa, pronta para estapear o primeiro crápula capitalista que cause à moral um arranhão.
E os católicos atuais, embora muitos deles possuam honestidade espiritual em criticar os liberais, não vêem que entre um estado grande, e um estado mínimo, este é melhor que aquele. Só no liberalismo clássico, com um estado pequeno, os católicos (também cristãos em geral e judeus) podem ser verdadeiramente livres para professarem suas crenças, e usarem, da economia livre, sua principal fonte de riqueza: a propriedade privada. Com isso, não só a sociedade fica mais religiosa, mas a religião fica mais social. Cada vez mais homens e mulheres ouviriam as palavras dos profetas e, sem dúvida, muitos, neste processo de expansão de fé, acabariam defendendo a mesma.
Os liberais, embora excelentes economistas e pensadores analíticos, não tinham uma noção límpida da práxis humana (com exceção de Von Mises, que, ainda assim, encontrava certos limites). Por serem extremamente talentosos em uma área específica, falhavam em focar nas outras, tão necessárias quanto formular o melhor dos sistemas econômicos. Böhm-Bawerk, Murray Rothbard, Friederich Hayek e outros liberais eram, em sua maioria, ateus ou agnósticos, completamente desinteressados nas bases morais do mundo ocidental, ou mesmo incapazes de notar a base moral do ocidente, isto é, a popularmente conhecida ''cultura judaico-cristã''.
Já os católicos gritam, quase em uníssono, que a Igreja condena a usura, ou qualquer tipo de ganância material. E isso é verdade. A Igreja de fato condena as injustiças econômicas. E é exatamente por isso que ela precisa coexistir junto ao sistema liberal econômico, não como dependente dele, mas como governante. É o cristianismo que defende o justo e condena o injusto, não a economia. Modelos econômicos, por definição, não podem ser classificados como ''imorais'' ou ''morais''. Fala-se disso de pessoas, e não de objetos inanimados. A economia tem tanta capacidade de ser ''moral'' quanto uma cadeira tem a possibilidade de ser feliz.
É de espantar a completa e entrópica cegueira entre liberais e católicos, não cientes de que eles precisam se ajudar, mais que urgentemente. Fica claro, pois, como o liberalismo necessita do cristianismo para proteger-se de si mesmo, e de como os cristãos não podem ser cristãos sem estarem livres. Liberais precisam de regras morais (cousa que só o cristianismo pode dar); e cristãos necessitam ser livres, econômica e socialmente (cousa que só o liberalismo econômico proporciona).
Mas não há razão para alarme. Fiquemos aqui, esperando que os liberais bolem uma economia à prova de injustiças e os católicos reconheçam que precisam do liberalismo.
quinta-feira, 10 de outubro de 2013
Não temer
Hoje me dediquei a um pequeno exercício: refleti sobre onde deixamos o nosso cadáver. Pois não, cadáver! Tem de se ser muito ingênuo para acreditar que ainda estamos vivos... Morremos junto dos últimos grandes homens que se permitiam ousar a sonhar, a desafiar o comum, a triunfar sobre o ordinário – contínua e incansavelmente. Toda a História do mundo repousa um pouco em Aristóteles e também em Napoleão. Morríamos, é verdade, desde sempre, mas ainda conversávamos o infinito em nós... Hoje já não mais. A chama do gênio, regada nas virtudes, tomada pelo inabarcável desejo de ir adiante, obedecendo nossa gênese natural do Eterno, foi-se. E como se não bastasse ter ido, segue numa morte que também morre em si mesma, pois que o antônimo do Infinito não é o finito, mas o vulgar, o raso, o comum – e não, isto também não tem fim... Que não se entenda, por favor, que se pretende evocar as aventuras do quotidiano para alegar vida – que eu não seja tomado por um tolo juvenil, por Deus! A vida é feita na propulsão espiritual (sem fim) que ascende, incansavelmente, a todo o tempo, desejando descansar – não sabe ela! – em si mesma. O tempo do Querer se esgotou. Hoje só se faz, segue-se, copia-se, domestica-se, consente-se, cede-se... Mas que erro o meu... Como havíamos de deixar o nosso cadáver?! O cadáver é a única coisa que nos resta! Deixamos foi o nosso espírito! E seguimos deixando-o, em todo o instante em que se teme morrer.
domingo, 6 de outubro de 2013
Ninguém quer saber
Li alguns aforismos do escritor colombiano Nícolas Gomez Dávila ontem. Foi uma maravilha. Seus ensinamentos são tão profundos, tão maciçamente atuais e urgentes, que, no mínimo, dever-se-ia publicar a obra homem em todas as línguas do mundo, até em Urdo.
Mas não posso citá-lo para ninguém. Ai de mim se fizer tal ato ferino. Ninguém o conhece, obviamente. E citá-lo, na visão do brasileiro comum, é pedantismo. Por quê? É a lógica brasileira, ora: não conheço, logo não existe. E ai de quem revelar que esta última frase foi uma paráfrase de Descartes. Chegamos ao fundo do poço, ao pior dos níveis, àquele lugar onde não há mais volta: conhecer é ruim, ser ignorante é bom.
Quando cito algum autor antigo, ou um sábio, duas reações aparecem: ou uma incompreensão ímpar, ou um completo desdém. Na primeira situação, seria até tolerável; mas, infelizmente, a incompreensão, no Brasil, é alimentada pela igual inconsciência das outras pessoas, prontas para cortar qualquer idéia, ponderação, questionamento ou dúvida que você tenha. Este país gerou o incrível paradoxo da dúvida que não move o ser para a resposta. A dúvida é um fim por si só, numa mistura diabólica entre o ceticismo cartesiano e a rigidez kantiana.
A segunda reação, bem mais comum que a primeira, é o total e maciço repúdio, desprezo e ódio aos sábios, sejam antigos ou novos. Ora justificam que os tempos são outros, e isso de nada vale no contexto atual (surpreendentemente, Marx e cia. continuam atualíssimos), ora usam seu próprio umbigo como fonte de referência, bradando aberrações como ''não foi assim comigo, então não corresponde à realidade''. Quando não fazem isso, cometem a pacóvia e insultante atitude de, sim!, clamar que você não sabe de nada, mesmo que eles também não saibam.
Isso revolta qualquer espírito honesto e que queira passar o que se leu. Mortimer Adler dizia que o conhecimento, quando adquirido, espalha-se naturalmente para o mundo, porque já põe o conhecedor na posição de transportador. O educando vira educador, e assim funcionavam as cousas por quase 2500 de humanidade. Mas como propagar conhecimento, quando você não é autorizado a fazer isso? Com essa situação, tudo aponta, pois, para um exílio. Sair daqui é a única solução.
E quanto ao Nícolas Gomez Dávila? Bem, ele continuará desconhecido porque ninguém o quer conhecer. Não é pedante saber das cousas, ora bolas?
Mas não posso citá-lo para ninguém. Ai de mim se fizer tal ato ferino. Ninguém o conhece, obviamente. E citá-lo, na visão do brasileiro comum, é pedantismo. Por quê? É a lógica brasileira, ora: não conheço, logo não existe. E ai de quem revelar que esta última frase foi uma paráfrase de Descartes. Chegamos ao fundo do poço, ao pior dos níveis, àquele lugar onde não há mais volta: conhecer é ruim, ser ignorante é bom.
Quando cito algum autor antigo, ou um sábio, duas reações aparecem: ou uma incompreensão ímpar, ou um completo desdém. Na primeira situação, seria até tolerável; mas, infelizmente, a incompreensão, no Brasil, é alimentada pela igual inconsciência das outras pessoas, prontas para cortar qualquer idéia, ponderação, questionamento ou dúvida que você tenha. Este país gerou o incrível paradoxo da dúvida que não move o ser para a resposta. A dúvida é um fim por si só, numa mistura diabólica entre o ceticismo cartesiano e a rigidez kantiana.
A segunda reação, bem mais comum que a primeira, é o total e maciço repúdio, desprezo e ódio aos sábios, sejam antigos ou novos. Ora justificam que os tempos são outros, e isso de nada vale no contexto atual (surpreendentemente, Marx e cia. continuam atualíssimos), ora usam seu próprio umbigo como fonte de referência, bradando aberrações como ''não foi assim comigo, então não corresponde à realidade''. Quando não fazem isso, cometem a pacóvia e insultante atitude de, sim!, clamar que você não sabe de nada, mesmo que eles também não saibam.
Isso revolta qualquer espírito honesto e que queira passar o que se leu. Mortimer Adler dizia que o conhecimento, quando adquirido, espalha-se naturalmente para o mundo, porque já põe o conhecedor na posição de transportador. O educando vira educador, e assim funcionavam as cousas por quase 2500 de humanidade. Mas como propagar conhecimento, quando você não é autorizado a fazer isso? Com essa situação, tudo aponta, pois, para um exílio. Sair daqui é a única solução.
E quanto ao Nícolas Gomez Dávila? Bem, ele continuará desconhecido porque ninguém o quer conhecer. Não é pedante saber das cousas, ora bolas?
quinta-feira, 12 de setembro de 2013
Oración por los caídos
Señor, Dios de los Ejércitos, cuya mano da a los hombres la vida o la muerte, en la victoria o en la derrota.
Acuérdate, Señor, de los que, defendiendo Tu fe, cayeron envueltos con Tu nombre en los campos del honor.
Señor, Dios de los Cielos, esencia de amor y de paz, acuérdate de quienes en la lucha por el triunfo de Tu amor entre los humanos, dejaron sus cuerpos rotos en el camino del martirio, ofreciendo sus vidas con serenidad y resignación.
Señor, Dios de Justicia, principio y fin de todas las cosas, acuérdate de quienes imitaron el sacrificio de Tu Hijo, muerto en la Cruz, por la redención del mundo, ofrendando el sagrado tributo de su juventud generosa, para hacer mejores a los que quedemos.
Señor, Tú que sabes lo efímero de esta vida, bendice los sueños de los que cayeron. Ten en Tu divina presencia a los que tanto te amaron, amando tanto a la Humanidad. Guíalos por Tu Reino para que desde los luceros inspiren nuestros actos y Tu nombre sea bendecido y alabado por los siglos de los siglos. Así sea.
† † † † † †
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| Gustave Dore -- The Crusaders on the Nile |
quarta-feira, 11 de setembro de 2013
Batuque aborígene miserável
A verdadeira
apreciação musical foi aniquilada com a chegada dos etnomusicólogos. Quando a
importância de uma obra passou a ser depositada não no seu conjunto de criação
- sendo este, já desde Aristóteles, o busílis da música -, mas nos seus
contextos específicos, criou-se, então, a mescla entre o som e a origem do ser
que o emitiu. Ora, a cor, a nacionalidade, o físico e o contexto de um artista
só são importantes para abranger uma visão maior da obra. De fato, Beethoven
não pode ser compreendido sem se compreender, antes, a Alemanha idealista de
Hegel; Chopin sem a Polônia não faz o menor sentido; E Vivaldi sem a Itália e a
tradição católica é oco. Mas qual seria a verdadeira influência da minha cor
quando toco José Maurício Nunes Garcia? E qual é a real relação entre a minha
nacionalidade latino-americana com as minhas interpretações de Astor Piazolla?
A ligação que os musicólogos modernos estabelecem entre o contexto do músico e
a sua obra é, no mínimo, uma destruição da teoria musical. E é por isso que
Adorno e cia., neste impulso maldito de desmerecer a obra clássica, chegam ao
máximo da distorção hermenêutica da música: eu toco melhor Heitor Villa-Lobos
por ser brasileiro. É tanto charlatanismo que dá dó (menor sustenido com
sétima, pois é atonal e ''verdadeiro'', segundo o frankfurtiano).
sábado, 7 de setembro de 2013
Modern day students
Três tipos de estudantes dominam as universidades e escolas atualmente:
o sério, o perdido e o desinteressado. Quando falo em estudante
sério, refiro-me àquele que é ávido por conhecimento, não importa de que tipo
e, percebendo que algumas matérias são indispensáveis e obrigatórias, o próprio
condiciona seu interesse e seu espírito para compreendê-las, fazendo do
professor não um mestre, mas um companheiro na busca pela verdade. Existem,
também, os alunos perdidos, que nada sabem, mas têm uma alma honesta e uma busca
verdadeira pelo saber, e que, para tal objetivo, precisam de um líder, um guia,
um sábio que os ensine (ou seja, o professor). E finalmente, para coroar a desgraça
educacional de hoje em dia com espinhos de ouro, existem os desinteressados,
filhinhos de papai, totalmente alheios à unidade do real, que mais estão lá, dentro das decantes universidades e escolas,
para adquirirem um meio mesquinho de obter dinheiro, ou para agradar o grupo
familiar. O tipo dominante de estudante, hoje em dia, infelizmente, pertence à
terceira categoria.
Não é preciso ser cientista político para concluir que, com o advento da
pedagogia social, a primeira classe de estudantes tem sido extinta. O aluno que
cultiva o saber, hodiernamente, está nas adjacências mais obscuras das escolas
e universidades, tendo seus objetivos desencorajados ou deturpados pelo
establishment educativo, fazendo com que a educação vire uma espécie de troca
mecânica de métodos, uma forma de repetição orangotânica, que, disfarçada de
''rigor acadêmico'', mostra-se, na verdade, como uma destruidora de qualquer
atividade útil.
Junto a isso, a quantidade de alunos vagabundos só aumenta a cada dia.
Com a perspectiva doentia do ''no child left behind'' (crianças mesmo, pois 90%
dos estudantes universitários beiram a infantilidade maternal), qualquer
governo atual pensa que é sua obrigação colocar todas as pessoas numa
universidade. E o resultado disso não poderia ser outro: pessoas incapacitadas
para cargos de extrema necessidade social. Economistas pobres, médicos que não
se cuidam, professores que não sabem aprender (nem ensinar) e escritores que
não sabem sua língua natal são apenas algumas das aberrações que ocupam as
altas esferas de trabalho.
Sentados no canto fundo da sala, por medo ou timidez, estão
(provavelmente escondidos ou calados), por fim, os alunos de cabeças frescas,
honestos e abertos a todo tipo de doutrinação. Estes são os mais injustiçados
do processo inteiro. Vítimas de uma geração já moldada nos preceitos
piagetianos-freirianos, tais pobres almas já recebem uma tonelada de
informações esquerdistas unilaterais, prontas para serem repetidas a qualquer
momento, apenas para agradar o digníssimo magistério. Não mais o professor deve
ensinar os alunos a cultivarem a sabedoria, a amarem as matérias; deve, na
verdade, espalhar o assunto de forma aleatória, deixando mais dúvidas que
respostas, podando todo tipo de pensamento contrário à sua autoridade de
''mestre'', negando peremptoriamente qualquer resposta aos mais simples
questionamentos.
Só se pode deduzir, em meio de tais condições educativas, que os
professores, alunos de outrora, não estão, de maneira alguma, exercendo o
verdadeiro ensino, tampouco estão cientes das sua próprias falhas como
educadores. O verdadeiro mestre não demonstra sua matéria apenas; ensina,
também, a cultivá-la, a amá-la; ensina o aluno a associá-la com a realidade, forçando-o
a gostar de cada pormenor que determinado tópico demande, cumprindo, pois, o
real objetivo da aulética: colocar no estudante o verdadeiro desejo pelo
conhecimento.
''Colocar? Forçar? Incrustar gostos em outras pessoas? Mas que coisa
mais conservadora, antiquada e reacionária'', alguns dirão, com sede de enfiar
seu ativismo político na área pedagógica. Não! Nada há de ''reacionário'' em
cultivar a sabedoria em mentes perdidas. Há, na verdade, uma obrigação, um
dever por parte do professor, que consiste exatamente na conversão do
conhecimento em algo que eleve o espírito, que seja útil à alma humana, fazendo
com que tal assunto seja de real importância para o educando, e não uma simples
cadeira universitária ou escolar obrigatória. E para isso não há técnica. Há de
se criar, na verdade, uma organização de educadores menos preocupados com ''o
mundo melhor'', e mais focada em deixar pessoas melhores para o mesmo mundo de
sempre. Quem sabe assim, quiçá, no futuro, o número de estudantes desinteressados
seja, pelo menos, menor que a quantidade já escassa de alunos sérios.
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