sábado, 1 de dezembro de 2018

Why the West Has Won

''When the trumpet sounded, the soldiers took up their arms and went out. As they charged faster and faster, they gave a loud cry, and on their own broke into a run toward the camp. But a great fear took hold of the barbarian hosts; the Cilician queen fled outright in her carriage, and those in the market threw down their wares and also took to flight. At that point, the Greeks in great laughter approached the camp. And the Cilician queen was filled with admiration at the brilliant spectacle and order of the phalanx; and Cyrus was delighted to see the abject terror of the barbarians when they saw the Greeks.''

--Xenophon, Anabasis (1.2.16-18)

Eros e Psique

"Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
Do além do muro da estrada.

Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.

A Princesa adormecida,
Se espera, dormindo espera.
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.

Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado.
Ele dela é ignorado.
Ela para ele é ninguém.

Mas cada um cumpre o Destino –
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.

E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E, vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora.

E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão , e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia."

Fernando Pessoa

quarta-feira, 26 de março de 2014

"Não aceitamos o mito do progresso contínuo. Não aceitamos liberalizações. Fujamos às tentações e aos caminhos escorregadios abertos pelo deslumbramento do "pluralismo". Não façamos desvairadas corridas a autonomias. Procedemos com firmeza e consciência, cultivando as minorias valiosas e sabendo ver onde elas estão. Sem medo ao extremismo, porque existe um extremismo indispensável: o do bem, da verdade, da justiça, que não tem acomodações nem meias tintas, nem hibridismo."
Dominar as ondas, nº2, II Série, 16-30 Junho 1972


sábado, 8 de março de 2014

A morte do ocidente

Financiamos nosso futuro através do esquecimento, no agora, comprometendo-o de modo irremediável. O canto do gol e o urro dos bares traduz o eco proferido pelo sonho que se perde no precipício. O comodismo dança com a vaidade, aplaudido pela derrota. Prefere-se o hoje à História e a qualquer porvir que poderia ser grande. Não se quer sê-lo. Quer-se ser o raso; quer-se a futilidade, os livros de auto-ajuda e uma justificativa para as derrotas pessoais e os anseios infantis. Não mais os grandes feitos, não mais os grandes homens, ou homens – é uma sociedade animalizada, infantilizada e inconseqüente. 

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

"Para um católico, Deus e a Bíblia são teleológicos, o que significa dizer que, segundo ambos, as coisas têm propósitos. Por exemplo, não cabe ao homem definir, de acordo com suas vontades arbitrárias, os propósitos do casamento e da sexualidade. Deus pune aqueles homens que ignoram, em nome de seus próprios caprichos, a ordem e o propósito que Ele construiu em Sua criação. Católicos, em geral, nunca foram nominalistas: eles não consideravam a vontade de Deus como sendo algo absolutamente impenetrável, e nem Suas leis morais como sendo essencialmente arbitrárias. Determinadas ações não se tornavam boas só porque Deus havia dito que eram boas; Deus havia dito que eram boas porque elas eram boas. Assim, desde o mundo físico até o mundo dos preceitos morais, Deus se mostrava perfeitamente racional e metódico."
Thomas Woods Jr.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014



Antes tarde que nunca... sobre os protestos recorrentes no Brasil...

“Extra, extra”: cinqüenta estudantes ocuparam a câmara de vereadores do Recife. Um número um pouco maior, uma parcela pequena, somada a esses cinqüenta, promoveu certas movimentações em tom frenético obstruindo vias e deixando quilômetros de engarrafamento. O motivo disso? Dizem eles em alto e bom coro, como animais que são, destituídos de todo e qualquer senso crítico, “passe livre é um direito”.

Culpam, esses atrevidos e petulantes, o governo de má gerência, descaso, no entanto requerem mais governo para sanar seus problemas. É, então, a ausência do governo o grave problema? Mas já não era, o próprio governo, o cancro? Em rápida retrospectiva: vimos a ação “legalista”, recheada de embromações jurídicas e burocráticas, que cessara com todos os transportes de iniciativa popular. E então?

Tornando à simplicidade: querem eles que suas passagens sejam pagas, mas não por eles. Nesse caso, ainda que concorde que o governo seja um grande mal e um péssimo gerente, tenho de afirmar que aqui o problema não é o governo, mas sim a imbecil idéia de que o Estado – no sentido real – deve ser uma espécie de pai ou de mãe. Não é toda a história do século XX o bastante para eles. Espanta-me isso tudo, que é tão somente que os promovedores da justiça social legitimam o roubo em nome da justiça social. Pois não, se querem que o Estado pague, ele há de fazê-lo. Mas Estado não produz riqueza... Todavia, segue-se firme o pensamento dos debilóides: “pode-se taxar aqueles que possuem mais, é justo”. É justo para quem? Para os desafortunados, diriam alguns. Mas eis que esses não estão a ocupar-se de tacarem fogos em pneus. Esses, salvo engano disse um iluminado de nossa triste UFPE, “precisam ser acordados e iluminados”. E quem lhes acordará, quem lhes fará brandir, em meio a gritos histéricos de júbilo, do gozo do terror, toda a torrente de liberdade e justiça? Os nossos velhos iluminados de sempre, essa classe que, senão parasitária já, a é em potência desde agora – seguirei mais sobre isso abaixo.

Usando da velha simplicidade de outros tempos, que configurava à realidade sua verdadeira dimensão e não a construía conforme afãs sexuais pueris: não, isso tudo não é justo. É, sim, roubo, e não me parece coerente falar de justiça social, direitos humanos fundamentais, sem a idéia de propriedade, especialmente quando essa era defendida há dois mil e quinhentos anos pelo próprio Aristóteles. Roubo segue sendo roubo e imbecil segue sendo imbecil. Não é livre e sã a conduta que não traz, ao conclamar a liberdade, circunstâncias reais para tal desfrute – muito pelo contrário, atos como esses, agora recorrentes, de quebra-quebra, são, em primeira instância, um atentado a toda e qualquer liberdade.

O mundo atual, para todo homem verdadeiramente livre, é atordoante. Digo isso sem muitas cismas filosóficas, mas através de uma análise rápida e clara: o mundo de hoje te prende sobremaneira. Mas antes fossem grilhões tangíveis, dolorosos! O mundo de hoje te prende da maneira mais vil possível: fazendo com que creias que tu és livre e, mais que isso, livre o suficiente para prender-se num materialismo sem fim, contraditório e decadente.

Pois, que há hoje no mundo senão uma síntese elaborada, ora mais camuflada, ora um pouco mais ou um pouco menos difusa, de todo o pensamento gnóstico, revolucionário e inexoravelmente trágico que floresceu e preencheu a tudo em meados do século XIX?

A liberdade de prender-se, de ser incoerente, de ser escravo, mais que um jogo dialéctico, é tanto “causa como conseqüência” – isto mesmo, em tom cômico -- da essência dos que vociferam hoje.

E, tornando ao ponto: “taxar os mais afortunados”. Isto é coerção, imposição, mas se é pela “causa”, então vale, posto que “a propriedade é um roubo”, ou, ainda melhor!, em outra perspectiva, é a “origem da desigualdade entre os homens” Há , então, aqueles que clamem Rousseau – arrepio-me sempre quando isso acontece. Vale ressaltar que esse sujeito, fora toda a vida ímpia para com seus pares – achando que isso nada tinha a ver com sua vontade de normartizar o mundo (vide, mais uma vez, a negligência para com a realidade) --, sofisticado e parcialmente instruído só teve seu famoso trabalho, A ORIGEM DA DESIGUALDADE ENTRE OS HOMENS, idolatrado a muito posteriori. Em seu lançamento, para que fora realmente feito – um concurso – o trabalho perdeu o prêmio e não convenceu a ninguém. A inconsistência de seu trabalho e seus paradoxos são visíveis para os mais atentos e, por que não, para os mais curiosos. Aqui abaixo um link resumindo o equívoco “rousseniano”: http://aboatradicao.blogspot.com.br/2012/12/sobre-o-tema-propriedade-privada.html

Muito me assusta, então, que chamem Rousseau para sustentar o que quer que seja. Ou, até mesmo, Proudhon, se quiser, de fato, apelar, ou, quem sabe Marx – sobre esse, alongar-me-ei –, em uma tentativa desesperada de fazer descer o “indescível”. Ainda que a muitos enganem, ainda que vos enganem, toda essa gente foi, em maior e menos grau, deficiente em pontos fundamentais de todos os seus raciocínios técnicos e filosóficos.

De certa maneira, gosto de pensar sobre o Marx: para mim é nele, e em sua obra, que há o maior ponto crítico de todos, desvendando toda a mortandade do bom senso intelectual que assolou o mundo desde o fim da escolástica. É nele, também, em que a vileza e o descaso explícito para com os clássicos – esses, verdadeiros homens, filósofos – faz-se da maior (e pior) forma possível. Também é a ele quem muitos recorrem para tentar suplantar qualquer vazio existencial ou insegurança pessoal. Para todos esses e mais tantos, devoto simplesmente CRÍTICA AO CAPITAL, de Vilfredo Pareto, um livro que, ainda que técnico, é cômico, pois escancara o déficit gigante do Marx em pontos extremamente triviais da ciência econômica. Para os que correm a suas grandes críticas e insights transcendentais, nada como A ANÁLISE DA DIALÉCTICA MARXISTA de Mário Ferreira dos Santos...

[Os livros acima são onde mais encontro pontos que destroem toda a análise marxista que não é, a meu ver, a gênese de todo o mal dos últimos cento e cinqüenta anos, mas é onde há a boa confluência desse mal -- tanto em Marx, propriamente dito, como no “Marx que ele veio a ser”, tantos anos depois, pelos carentes de ídolos – o que me faz lembrar de Nietzsche e suas críticas -- embora o bigodudo endeusado por esses marionetes, desejosos de romper com a moral vigente, não lhes devotaria mais que ojeriza.]

A incongruência, a incoerência, os equívocos, a incapacidade de síntese lógica, a fuga total da realidade, a análise sob prismas parciais, o passional sobre o racional, o fim sobre o início, são todas boas definições para o que vemos hoje. Quem muito acha tudo isso distante, preso também se encontra. É razoável, pois, concluir que qualquer coisa que se sustentasse nesses “iluminados” não findaria de maneira razoável e coesa.

Todo o hoje é uma reprodução contínua e patológica desse ontem doentio; pensam, eles, que descobriram tudo, e o lastro histórico, cultural, bem como a experiência de milênios, é coisa de simples mortais – ou não sabias tu que são eles o Übermensch?

Todos esses sujeitos que andam a fazer carreira de vadiagem, incitando revoltas lá e cá, recorrem-se a um direito universal, mas a própria Revolução carece, ela mesma, de um direito. A subversão, esses levantes todos, edificam-se com suas teorias e, sendo muito otimista, não se encerram elas numa base mais sólida do que a que encerra os (reais) valores que eles tanto criticam e querem desfazer.

O descaso para com o passado – o verdadeiro passado, aquele que de fato nos legara homens com suas vidas, integralmente – é a morte certa. Sofisma algum pode conseguir preservar a real liberdade, racional e absoluta, mais do que aquela que conserva um lastro escolhido pela natureza em comum dos homens, entre um urro de vontade de poucos indivíduos que conseguiram destacar-se, e condenada, a ser assim, pela História. O presente, e o passado recente, nada tem a dar-nos além de especulações e disso estamos fartos. Desastres ocorrem e mais estão a vir. O pensamento de hoje repousa num sangue ainda molhado. Todas as promessas e desejos desses senhores, bem como certos atos, assentam-se sobre camadas e mais camadas de prosa vazia que pouco foi “ contestada”– é verdade –, mas porque, desde sempre, nunca havia sido levada adiante tamanho o disparate e falta de bom senso.

O fervor de um ato oriundo de todos esses levantes é tão somente desfrutado por bestas achando esses que estão a preceder à verdadeira revolução. Tolos. Quantas vezes isso já não aconteceu? Quantas novas revoluções teremos ainda de aturar?
“Os tolos entram correndo onde os anjos temem pisar”.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Sobre a democracia em excesso

A verdade é que nem de perto a massa está apta para governar-se. A massa é completamente ignorante, e isso não é fruto da ausência da capacidade cognitiva alheia, mas tão somente fenômeno da própria massa. A multidão exerce um efeito idiotizante e histérico. A união faz a força, é verdade, mas raciocina quase que nada. A História nos mostra o quão pouco efeito, no sentido das reais necessidades, fizeram manifestações populares no decorrer da História e isso não vai mudar. Especialmente num país de condutas tão supérfluas. Se conseguir algo, isso sendo otimista, será só encharcar o solo com sangue.